As próximas eleições regionais, a 29 de Março, são paradigmáticas A falta de capacidade dos Madeirenses para se unirem em prol de objetivos comuns é gritante e ajuda a explicar as razões para que o exercício do poder, na Região, não seja um estágio transitório, mas sim uma forma de vida permanente. As próximas eleições regionais são paradigmáticas. Após a saída de Alberto João Jardim, a maioria da oposição nem procurou chegar a um entendimento, aproveitando a janela de oportunidade que a disputa em tons “laranja” representou. Escrevo a maioria, porque tenho de reconhecer que a única tentativa de construir uma alternativa válida foi protagonizada pelo CDS-PP e abortada, à partida, pelo PS. Quando o caminho mais inteligente passava pela criação de um bloco que bipolarizasse a disputa eleitoral, assistiu-se a uma fragmentação absoluta e absurda, que resultou no nascimento ou reaparecimento de pequenos partidos e de partidos pequenos, todos à procura de um lugar de deputado, confortável espaço ao sol. (Não quero ser injusto e excluo do rótulo de oportunismo político a CDU, porque os votos que tem não refletem a qualidade de muitas das suas intervenções, e o PND, pelo espírito de combate que não é de agora). Previsivelmente, o que nos trará esta realidade? A canibalização da oposição, que lutará entre si voto a voto, e um alegre passeio de quem sempre governou, rumo a mais uma maioria absoluta. Recentemente, falava com amigos do continente que eram incapazes de perceber a profusão de partidos e agremiações mais ou menos políticas que prosperam na Madeira. A única explicação que encontrei para lhes dar prende-se com o facto de dois-mil-e-tal-votos permitirem a eleição de um deputado, ou seja, é mais fácil sentar-se no parlamento do que ser presidente de uma junta de freguesia do Funchal. Seja qual for a explicação, a verdade é que (quase toda) a oposição poderá ficar com a responsabilidade histórica de permitir a perpetuação do PSD-M no poder. A não ser que os eleitores façam aquilo que é mais avisado, olhem para as propostas que as principais candidaturas apresentam (por principais candidaturas tenho o PSD, o CDS-PP e a Coligação), olhem para quem integra as listas e escolham entre as três. Quase tudo o resto é ruído. Bom para brincar à política. Péssimo para fazer política. Gonçalo Santos
As próximas eleições regionais, a 29 de Março, são paradigmáticas
A falta de capacidade dos Madeirenses para se unirem em prol de objetivos comuns é gritante e ajuda a explicar as razões para que o exercício do poder, na Região, não seja um estágio transitório, mas sim uma forma de vida permanente.
As próximas eleições regionais são paradigmáticas. Após a saída de Alberto João Jardim, a maioria da oposição nem procurou chegar a um entendimento, aproveitando a janela de oportunidade que a disputa em tons “laranja” representou. Escrevo a maioria, porque tenho de reconhecer que a única tentativa de construir uma alternativa válida foi protagonizada pelo CDS-PP e abortada, à partida, pelo PS.
Quando o caminho mais inteligente passava pela criação de um bloco que bipolarizasse a disputa eleitoral, assistiu-se a uma fragmentação absoluta e absurda, que resultou no nascimento ou reaparecimento de pequenos partidos e de partidos pequenos, todos à procura de um lugar de deputado, confortável espaço ao sol.
(Não quero ser injusto e excluo do rótulo de oportunismo político a CDU, porque os votos que tem não refletem a qualidade de muitas das suas intervenções, e o PND, pelo espírito de combate que não é de agora).
Previsivelmente, o que nos trará esta realidade? A canibalização da oposição, que lutará entre si voto a voto, e um alegre passeio de quem sempre governou, rumo a mais uma maioria absoluta.
Recentemente, falava com amigos do continente que eram incapazes de perceber a profusão de partidos e agremiações mais ou menos políticas que prosperam na Madeira. A única explicação que encontrei para lhes dar prende-se com o facto de dois-mil-e-tal-votos permitirem a eleição de um deputado, ou seja, é mais fácil sentar-se no parlamento do que ser presidente de uma junta de freguesia do Funchal.
Seja qual for a explicação, a verdade é que (quase toda) a oposição poderá ficar com a responsabilidade histórica de permitir a perpetuação do PSD-M no poder. A não ser que os eleitores façam aquilo que é mais avisado, olhem para as propostas que as principais candidaturas apresentam (por principais candidaturas tenho o PSD, o CDS-PP e a Coligação), olhem para quem integra as listas e escolham entre as três. Quase tudo o resto é ruído. Bom para brincar à política. Péssimo para fazer política.
Gonçalo Santos