MPF Como já foi noticiado pelo DIÁRIO, a entidade gestora do jardim de Santa Luzia decidiu fechar a porta do parque que serve a rua do Til, durante a semana, a partir das 20h, e ao fim de semana e feriados, todo o dia. Uma decisão que surpreendeu a população local.

Aparentemente, actos de vandalismo no parque infantil e espaços ajardinados, bem como «ajuntamentos» perto da referida porta, justificaram a medida da Secretaria do Ambiente.

Para a Secretaria, as razões da decisão serão muitos válidas. A meu ver, a questão está ao nível da sua eficácia. Será uma solução duvidosa quando mais duas portas permanecem abertas e se os presumíveis vândalos insistirem nos seus actos.

A população da zona está descontente, quer pela falta de comunicação demonstrada quer pela medida em si, contrária aos fins de um espaço público como aquele.

No sussurrar local, até se aceita o fecho da porta durante a semana (às 20h), porque há uma menor frequência e uso do parque a essa hora. Porém, manter fechada a porta a um dos focos mais populosos da zona durante o fim de semana é, no mínimo, triste e contraproducente.

Tem feito jurisprudência a ideia de que uma rua ou uma cidade mais frequentada e dinâmica evita e previne focos de insegurança. O renascer da Zona Velha é exemplo desta perspectiva. Ora, o fecho da porta no jardim de Santa Luzia, isolando definitivamente aquela zona do parque, é uma oferta às personalidades dedicadas ao vandalismo ou a práticas anti-sociais, fãs de espaços isolados. Por isso, desconfio da eficácia da medida! E, permitam-me a ironia, mas o lamentável vandalismo no parque infantil só pode ser razão menor para o fecho da porta do Til, principalmente porque está tão ou mais próxima do bar do jardim e da porta correspondente. Tão só uma das zonas mais frequentadas, até de noite.

Se o problema é a segurança do parque e das pessoas que o frequentam, o ideal é pensar em formas de defender os utentes.

Estaremos de acordo que um jardim público bem tratado e mais convidativo terá maior frequência, sendo uma forma de dissuadir as atitudes anti-sociais. A minha sugestão é que gestores do jardim comecem a cuidar melhor dos espaços ajardinados, designadamente junto à porta que insistem manter fechada.

A decisão tomada foi a mais fácil mas nem por isso a mais sociável. E foi concretizada com falta de rigor, como prova o facto de não haver nenhum aviso nas outras portas sobre o fecho do Til às 20h. Presume-se que todos os que entrarem no parque terão conhecimento da medida. Para além disso, o horário colocado na porta do Til deixa antever que também fechará às 20h e nos fins de semana de Verão. É preciso dizer mais sobre a qualidade da medida?...

Mas, se foi considerado que há vandalismo extremo, para justificar uma medida de tal natureza, então porque não ser proactivo e promover (in)formação sobre o bom uso dos bens públicos, através de diversas acções? Porque não tornar este jardim num exemplo de como usar os bens públicos, uma acção que seria útil para muitos nesta nossa terra.

Como já tenho verificado, nunca o jardim esteve tão vazio. Coincidência?! A Secretaria poderá, por teimosia, manter a medida... Seremos forçados a levar as nossas crianças, com bolas e bicicletas, por um caminho maior e menos seguro. Será uma questão de hábito. Mas, se o jardim continuar a perder gente, se o vandalismo se mantiver, outras portas se fecharão. Certo? Neste caso, nada como um monte de prédios para corrigir a situação!

Por fim, um enorme agradecimento a nova Junta de Freguesia por toda a “ajuda nula” e o “empenho fantasma” neste caso. Tem sido de uma eficácia estonteante. Voltaremos ao assunto.