Jorge Martins Quase quarenta anos de disparates infindos que “enterraram”, quiçá, definitivamente a autonomia , trouxeram-nos a todos, os que aqui escolhemos viver, uns tendo ficado, a maioria, outros vindos e radicados, ao ponto de esclarecida decisão. Então, perante os factos , o resgate, a subserviência a que ele nos obriga, a exiguidade de meios, que fazer?
Está visto que a prosápia, o despropositado arrojo provocatório, encobridor dum ancestral complexo de inferioridade, nunca assumido nem, devidamente, equacionado, antes transformado em arrogância bufa de esvaziamento anunciado, como agora se constata, foi chão que deu uvas, e a reacção, aliás previsível, da “populaça” que se passou de “armas e bagagens” para corte do Senhor que se segue, não alvitra nada de bom.
Sendo esta a sensação de quem, tanto quanto possível, distanciadamente, tenta compreender o “fenómeno” da evolução da política na Região, é, também, aquilo que as, poucas e porventura pouco fiáveis, sondagens que se vão conhecendo nos transmitem.
E , convenhamos, a escolha não é fácil. Diria mesmo que é muito difícil, já que, tendo-se esboroado o tempo dos senhores “de reconhecimento”, também por culpa deles, se esfumaram as referências programáticas e ideológicas, reduzidas ao triste espectáculo dominical do “buraco, ainda, não tapado” mil vezes revisitado por aqueles que , perdidos do mundo, afectam, ridiculamente, dogmas revisitados, assim pretendendo distinguir-se dos que, os dizem ter tapado, aos buracos, sem nunca o terem feito ou dos prometem vir a fazê-lo, o que resulta no mesmo, inviabiliza qualquer escolha sã, salvo para os que , “enganados” de sempre pensam e votam “ com o bolso” e, portanto, têm todas as certezas antes das eleições e se lamentam após todas elas , embora tendo dado sempre a vitória aos que ganharam. Digamos que, como dizia o Zeca , “...o que faz falta é animar a malta “ e “...não me obriguem a vir para a rua gritar”.