Quase de saída da liderança do Governo Regional, o Dr Alberto João Jardim irá receber uma medalha de ouro da Ordem dos Médicos Dentistas. Dei por mim a pensar se este não seria um presente caro e se melhor não seria disponibilizar-lhe os serviços e oferecer-lhe sim uma “placa”! Acredito que, caso venha a precisar, a dentes novos será dado mais uso do que a esse galardão máximo da OMD. A não ser que acredite que muitas outras Ordens terão o mesmo gesto e tenha já preparado uma vitrine. Porém, pelo que vejo, ou as oferendas estão atrasadas na produção e as intenções guardadas na gaveta ou não precisa disponibilizar muito espaço para o efeito. Veja lá a ingratidão desta gente... Tanto ajudou empreiteiros, construtores, engenheiros, arquitetos, serventes de pedreiros, fiscais de obras e afins, mas quem se lembrou de si? Os médicos dentistas. E porquê? Pensei eu que fosse pelas belas pérolas que por vezes lhe saíam e saem da boca sem aviso prévio, mas não foi. Este reconhecimento é atribuído sempre que, no entender da OMD, a acção profissional, académica ou política de um cidadão, seja qual for a sua área profissional de actuação, tenha contribuído ou contribua de forma relevante e inequívoca para o desenvolvimento da medicina dentária e melhores condições para a saúde oral em Portugal. Se é verdade que em 1978 (quando o actual presidente do GR assumiu o cargo) os cuidados de saúde oral eram arcaicos e quase inexistentes, não é mentira que o panorama mudou por culpa do investimento (académico e financeiro) dos profissionais da área. A mim ninguém me deu nada a fundo perdido (a não ser os meus pais, que me deram a possibilidade de estudar o que quis e onde quis). No entanto não posso deixar de reconhecer que fez coisas boas, salientando a implementação de um sistema de convenção/comparticipação para tratamentos preventivos, curativos e de reabilitação de medicina dentária para os utentes do serviço regional de saúde e da ADSE. Isto apenas porque durante muitos anos não existiam médicos dentistas no sistema nacional de saúde e perceberam, por culpa de uma qualquer dor de dente, que estes não são adereços mas sim uma necessidade. Reconheço também o cuidado em tentar alertar e motivar as pessoas através da promoção da saúde oral da RAM iniciada em 1995, projeto liderado exemplarmente pelo Dr Gil Fernandes Alves (e seus pares) que agora o propôs condecorar, mas que entretanto, em maio de 2010, foram inqualificalmente “afastados” por interesses de outra ordem do executivo do agraciado. Não posso deixar também de enaltecer a inclusão em 2010 de médicos dentistas e higienistas orais no serviço de estomatologia do hospital Dr Nélio Mendonça, bem como a contratação de equipas de saúde oral para os centros de saúde do Bom Jesus, Porto Santo e Porto Moniz com profissionais escolhidos a dedo (uns indicadores, outros anelares e alguns mindinhos). Já que não me reservo apenas o direito de encontrar problemas, mas também o de encontrar soluções, sugiro que com tanto médico dentista por estas bandas o estado apenas tivesse que suportar os custos de material. Uma espécie de “turma do bem” em que os profissionais não fossem remunerados. Por mim falo, mas se por vezes trabalho de borla para quem pode pagar um seguro, não me importava nada de tirar uma manhã ou uma tarde para atender quem realmente precisa nos locais equipados para o efeito. Com esta conversa toda, muita gente acreditará que quase merecem também o mesmo prémio os inúmeros responsáveis pelos salões de beleza que ao mesmo tempo que permitem o acerto da permanente e o pintar das unhas dos pés aproveitam para disponibilizar o branqueamento dentário. Puro engano... Este senhor pode não ter tratado os dentes a ninguém, mas também não os estragou! Até para comer reduziu a abundância. Merece! PS, não vou poder estar presente no dia 20 às 15h na sede do GR para assistir à entrega uma vez que é dia de semana e não me saiu ainda o euromilhões nem estou abrangido por qualquer jackpot.
Pedro Nunes Médico dentista