A coligação Mudança apresentou nas redes sociais como irá (des)governar as pessoas desta terra, nos primeiros cem dias, dum hipotético cenário em que sairiam vencedores dum ato eleitoral à Presidência do Governo Regional: Dissequemos então cada uma das doze medidas apresentadas, que seriam cumpridas à média de uma por cada oito dias, isto se a minha matemática for melhor que a dum antigo Primeiro Ministro. 1 - Renegociar as rendas da Via Litoral e Via Expresso, poupando à Região 160 milhões de euros numa legislatura – Onde é que iriam poupar os 160 milhões de euros? Que despesas deixariam de ser elegíveis? Quantos postos de trabalho seriam colocados em risco? Até que ponto o valor de 160 milhões é realista, considerando a necessidade de manter um padrão de serviço, um padrão de manutenção e conservação das vias e equipamentos de apoio às mesmas… 2 - Renegociar a dívida e pagar com base no crescimento da Região – Mais importante que pagar a dívida é perceber qual a estratégia de crescimento que a coligação tem para a RAM, ou esta medida irá se traduzir na principal desculpa para o não pagamento da dívida: ou seja, se não crescemos, não teremos de pagar!?! Mas se irão aumentar as despesas e reduzir as receitas, não entraremos rapidamente num cenário de falência? 3 - Implementar a ligação marítima com o Continente – Já todos percebemos o grau de importância da ligação marítima com o continente. Há que diferenciar a ligação marítima de mercadorias (que já existe) da ligação para mercadorias e passageiros que, conforme petição do Dr Sérgio Marques (PSD) e da plataforma Cruise Ferry Madeira (Paulo Farinha) foi já entregue na Assembleia da República e cuja comunicação já foi feita à Comissão Permanente da Assembleia Legislativa da Madeira. Pergunto, em cem dias, de que cartola irá sair um ferry? Com base em que negociações? Com que contrapartidas? 4 - Reduzir as taxas portuárias – Até é fácil de concretizar. Mas como pretende o hipotético governo da Mudança pagar as dividas que a Administração de Portos contraiu com os mais recentes investimentos? Claro que ao reduzir as taxas, criamos uma maior atratividade do nosso porto. Mas teremos capacidade humana, técnica e logística para operar mais que cinco navios em simultâneo? Vejo nesta medida, mais uma vez, eleitoralismo. É atirar barro à parede a ver se cola! 5 - Parar de imediato com a privatização dos Horários do Funchal – Medida facílima de implementar. Basta não fazer nada e tudo continuará como está agora. É preciso entender que aquela empresa pública, como qualquer outra, deverá ser rentável e sustentável, pelo que deverá ser gerida numa lógica empresarial e não numa lógica de subsidiodependência. E os seus administradores, como os de qualquer empresa (pública ou privada) deverão responder pessoalmente pelas suas opções, sendo premiados se os resultados forem positivos ou penalizados em caso de resultados negativos. 6 - Devolver o Jornal da Madeira à Diocese, poupando à Região, só numa legislatura, 16 milhões de euros – Mas quererá a diocese receber um Jornal da Madeira no estado que está? Longe vão os dias em que a Empresa Jornal da Madeira era um local aprazível de se trabalhar, rentável, com o décuplo dos funcionários que lá trabalham atualmente, todos eles profissionais isentos e profundos conhecedores da arte do jornalismo e radio. Não basta entregar o JM à diocese. É preciso faze-lo renascer das cinzas e, aí sim, devolvê-lo a quem nunca o deveria ter perdido. Com a dignidade necessária e com o respeito pelas pessoas que ainda lá trabalham, com a garantia de que o mesmo não encerrará e que se afirmará como um segundo matutino regional, isento e correto da informação que transmite. 7 - Baixar o IRC para as Pequenas e Médias Empresas, permitindo a criação de emprego – Baixar o IRC, sendo fundamental para fomentar a criação de emprego e a saúde das empresas, é mais uma forma de diminuir as receitas da RAM. Vão reduzir as taxas portuárias, baixar o IRC… Ou seja irão ter menos receitas! Mas vão aumentar o prazo de recebimento do desemprego, criar complementos solidários, repor subsídios… Ou seja irão aumentar a despesa! Num cenário em que iremos necessitar de aproximadamente 2000 milhões de euros/ano, onde irá a coligação Mudança buscar tanto dinheiro? Será que os milhões sairão duma cartola donde os mágicos tiram coelhos? 8 - Iniciar o programa para acabar com a lista de espera para cirurgias – Como pretendem realizar esta medida em cem dias? Só recorrendo a medidas eleitoralistas é que se podem anunciar medidas desta natureza, completamente utópicas e descabidas, numa altura em que a carência de profissionais de saúde é elevada (especialmente de médicos especialistas que não abundam por cá). Essa medida é o desejo dos utentes que estão a aguardar operação. Mas dizê-lo desta forma é simplesmente enganar as pessoas e ludibriar os eleitores. 9 - Criar o Complemento Solidário para Idosos e o Complemento de Abono de Família e aumentar o apoio à Ação Social Escolar – Mais eleitoralismo, na sua vertente mais degradante: mais dinheiro para atirar fora quando o importante seria redistribuir os apoios já existentes de forma mais justa, acabando com os Rendimentos Mínimos Garantidos criados pelo Eng Guterres que basicamente começou a pagar a gente capaz e saudável para ficar em casa sem nada fazer, recebendo consideráveis valores no final do mês… Concordo que se apliquem melhor estes valores em vez de estar a criar mais despesismo nos dinheiros públicos! 10 - Repor o Subsídio de Insularidade – Concordo com a medida e sei que a mesma é também defendida por outros partidos concorrentes, tendo já sido apresentada por Miguel Albuquerque. 11 - Aumentar em mais seis meses a duração do Subsídio Social de Desemprego – E terão os cofres do Estado capacidade para tal? Mais uma despesa a somar a muitas anunciadas e ainda não vislumbrei qualquer forma de receita imediata. Há uma dívida que tem de começar a ser paga em 2016. Como irá a Mudança resolver essa questão? 12 - Implementar o Programa Regional de Controlo de Animais Errantes (esterilização) – Com todo o respeito que os animais me merecem, acho que os problemas que se afiguram à Madeira nos próximos anos são de tal ordem que a criação de um programa regional de esterilização de animais errantes, executado nos primeiros cem dias de governação só demonstram uma coligação vazia de ideias e refém de partidos pequenos, pouco ambiciosos e desligados da realidade da governação. Confesso que esta medida fez-me rir às gargalhadas como uma das grandes prioridades… Só se começarem por esterilizar alguns “animais errantes” que nós cá sabemos… PS: Meu amigo Vitor Freitas, com as nossas diferenças políticas que mantemos já desde o tempo da universidade, esperava um projeto mais ambicioso, e sinceramente acho que o teu partido ganhava mais em correr sozinho do que coligado com partidos sem identidade, sem expressão, sem projeto e sem bandeira. Mas é apenas uma opinião pessoal e que te explicarei pessoalmente um dia destes, por ai…

Nélio Olim