Deixemo-nos de indefinições e indecisões, temos de saber com exatidão e clareza o caminho a tomar. Continuar no mesmo que nos trouxe até aqui não faz qualquer sentido e só pode degradar ainda mais a situação económica, ambiental e social da sociedade madeirense e porto-santense. Se queremos um futuro para nós e para os nossos filhos só temos uma opção, uma escolha que se traduz numa única palavra: Sustentabilidade – ser capaz de responder às necessidades do presente sem comprometer o futuro, tudo o que não foi feito até agora. É fácil? Não! Requer esforço e competência? Requer! Estamos habituados a isso? Não! Somos capazes se nos empenharmos? Somos, com certeza! A orientação da Região Autónoma da Madeira no sentido da sustentabilidade implica transparência governativa e justiça social, noção do verdadeiro sentido de interesse público e adequada hierarquia das prioridades. Implica elevar o conceito de Autonomia muito para além do enquadramento político-administrativo, traduzindo-o numa menor dependência do exterior. Implica valorizar os nossos recursos humanos, o nosso património natural e cultural, a nossa economia e a nossa sociedade. Sair da depressão em que nos meteram neste início de século e caminhar em direção à sustentabilidade significa, em concreto, equilibrar a balança comercial respondendo com recursos próprios às nossas necessidades, quer se esteja a falar de energia, de alimentos ou de matérias-primas. Implica acrescentar valor aos nossos produtos, sejam eles agrícolas, piscícolas, turísticos ou industriais, e colocá-los em mercados, externos ou internos, capazes de os absorver. Exige a recuperação paisagística, tão essencial ao turismo, e a proteção dos ecossistemas que nos fornecem biodiversidade, recursos hídricos e segurança. Requer, por exemplo, recuperar o valor intrínseco aos nossos próprios resíduos e que, através da reciclagem e da biodigestão, pode render 40 milhões de euros por ano. Obriga a investir na Zona Económica Exclusiva da Madeira que faz o nosso território tão grande quanto o território continental da França. Impõe que se aposte na inovação e desenvolvimento não só nas áreas tecnológicas como também sociais. Significa fazer da educação um verdadeiro desígnio insular de transformação da sociedade, e das suas capacidades e competências. Enfim, implica muito, implica mudança, implica mexer em atitudes, hábitos e interesses instalados, implica dar o melhor que há em nós, implica sacrifício mas, estou certo, no fim, resultaria numa sociedade melhor que a todos beneficiaria e muito nos orgulharia.
Hélder Spínola Professor Universitário