Às eleições para a Assembleia Constituinte, realizadas a 25 de Abril de 1975, concorreram 14 partidos e coligações. Um número que seria repetido nas eleições seguintes mas que acabaria por se ir reduzindo. A proliferação de partidos é uma características das democracias jovens e Portugal não seguiu a regra. Na Madeira, como a democracia também parece estar a entrar na adolescência, depois de uma longa infância de 40 anos, o milagre da multiplicação dos partidos também acontece. Vamos ter 16, entre concorrentes isolados e participantes em coligações. Uma boa marca. O grande número de partidos – muitos com fortes probabilidades de eleger deputados – demonstra a dinâmica que a política regional atingiu, mas também é a prova da grande dispersão entre as forças que neste momento são a oposição. O boletim de voto vai apresentar novos e velhos partidos, mas a questão central será semelhante à das eleições anteriores: será possível derrotar o PSD ou, como prémio de consolação, retirar-lhe a maioria absoluta? Olhando para o número de partidos concorrentes, a resposta às perguntas anteriores não é muito favorável a esses objectivos. A dispersão de votos só beneficia o PSD que até tem a seu favor a imagem de 'novo partido' que está a procurar apresentar aos eleitores. Uma vantagem que não é fácil de contrariar, sobretudo depois de ter falhado uma coligação alargada da oposição. Falta pouco mais de um mês para ver como ficará pintada a assembleia regional. O cenário mais provável é o de uma paleta muito colorido, mas com uma mancha laranja grande. Falta saber de que tamanho.