Andreia Silvério Cada dia é uma luta, uma batalha invisível, em que me predisponho a lutar desde o momento em que saio da cama e ponho os pés no chão e o mundo de fantasia e faz de conta dos sonhos fica debaixo da almofada, regresso ao mundo real. Aquele mundo injusto, em que não sei bem que fazer mais, e em que o facto de enviar centenas de cv por dia devia dar-me direito ao doutoramento de procura de emprego. Aquele mundo em que aprendo que amigos são bem poucos e cada vez noto mais que aqueles que me dão palmadinhas nas costas e dizem que vai ficar tudo bem, que me vão ajudar, que tudo é uma fase, merecem apenas que diga “experimenta ficar sem trabalho, logo seguido do desemprego do teu marido/mulher, experimenta depois disso ficar sem o que lutaste para pagar, ficar sem chão. depois dizes-me que tudo vai ficar bem”. Cada dia é uma luta em que me recuso a perder, em que não quero nem posso baixar os braços. Cada dia é uma batalha em que venço por não me deixar abater. Não sei por quanto tempo mais poderei resistir, mas sei que enquanto tiver forças irei tentar. Para isso só de mim dependo. Para vencer e para me manter de pé agradeço a mim, à minha mãe, ao meu esposo maravilhoso e a um ou dois amigos que guardo no coração porque todos os outros simplesmente desaparecem, ou sorriem e dizem entender, desculpa mas só vão entender quando passarem pelo mesmo! Até lá resumam-se à vossa vida em que desprezam o trabalho que têm mas que vos põe comida na mesa e paga as contas, em que falam mal e dizem estar fartos daquele lugar naquela empresa mas esquecem que muitos davam um dedo da sua mão direita para terem esse mesmo lugar. Só vão entender quando aquele carro que reclamam e que adoravam tocar vos for levado por falta de pagamentos. Só vão entender quando fizerem parte daquela enorme parcela que está desempregada sem subsidio de desemprego.