Nasci e cresci numa família onde o serviço aos outros, a intervenção social e o bem comum fazem parte da sua identidade. Há trinta anos decidi aceitar o desafio de ser deputado regional onde estive doze anos. Antes, como agora, acredito que é possível uma Madeira mais próspera, mais autónoma, menos desigual. Anteriormente, como neste momento, creio numa politica próxima dos cidadãos, ao seu serviço e não inimiga ou distante das pessoas. Desejei um novo ciclo na nossa terra que a aproximasse das democracias europeias. Pratiquei e defendi um debate convicto mas a um nível elevado onde as pessoas se respeitassem nas suas ideias e na sua pluralidade. Desejei uma Madeira sem corrupção nem vícios de poder, onde todos tivessem oportunidade pelo seu mérito e pela sua competência. Desejei uma Região mais próxima de quem necessita, de quem está só, desiludido ou desamparado, onde o fosso entre os mais ricos e os mais pobres não fosse tão grande e em crescendo. Até por força da minha profissão, tenho ouvido muitos, ajudado os que pude, aprendido com todos. Sei hoje que a Madeira embora pequena no Mundo, tem possibilidades, se todos se agregarem neste esforço comum. Os problemas são muitos, as dificuldades enormes e o desânimo é contagiante. Mas não é inultrapassável. Exige-se competência, estudo, dedicação e responsabilidade. Não podia ficar para trás. Trairia o meu passado e a coerência de tantos anos, se agora, numa altura em que o novo ciclo finalmente surge, encolhesse os ombros, baixasse os braços e não contribuísse para a minha terra. Venho em nome dos valores em que acredito e do lado onde sempre estive. Venho em nome da vida e da família que precisam de ser protegidas, acalentadas e colocadas no lugar que merecem. Venho em nome da dignidade do serviço público, procurando contribuir para o bem comum e para quem dedica a sua vida aos outros e se dispõe a servir a nossa terra. Venho em nome de uma Madeira que se afirma pela qualidade do que tem, que não se envergonha nem se agacha e que pode agregar os de boa vontade que queiram levar esta tarefa a bom porto. Venho em nome da esperança e da vontade de servir, grande motor de felicidade. Sem falsas modéstias, mas com a noção de que é necessário juntar muitos para que se possa fazer futuro, aceitei ser candidato pelo CDS/PP, o meu partido de sempre. A minha família, os meus amigos ajudaram-me na opção. Sabem que o faço por um ideário que não morreu. Integro-me num grupo que me honra e honrou o parlamento, que deu o “corpo ao manifesto” nestes quatro anos e que antes de muitos levantou bandeiras que hoje outros também compartilham. Neste momento compreenderão que suspenda a minha actividade de comentador e de articulista. Julgo que é moralmente incompatível analisar e ser analisado. A objectividade perde-se e a suspeita-se instala-se. Vou com vontade de servir. Que Deus me ajude!

Ricardo Vieira