Juvenal Pereira Ela era casada.

Mas eu gostava dela… não podia fazer nada!

Tinha uma amiga que conhecia a minha paixão. Então, sempre que me encontrava, chamava-me a atenção: não consigo perceber, com tanta mulher por aí, mais jovem, porventura mais bonita e tu havias de te apaixonar por uma mulher comprometida.

Ela talvez tivesse razão, não digo que não, mas quem manda nestas coisas é o coração.

Ele não ouve, não vê, mas não sei porquê, tem cá uma sensibilidade que só Deus, Nosso Senhor, é que sabe!

Aquela mulher quando passava por mim, o meu coração batia, batia, parecia não ter mais fim.

E o meu corpo tremia, por vezes levava-me a pensar que não estava em terra, talvez, algures, no meio do mar…

Esta coisa do amor é complicada, especialmente quando nos apaixonamos por uma mulher casada.

Mas não podia fazer nada!

A cabeça resvalara para ali e, agora, quem a tira dali?

Mas, Virgem Santíssima, como ela era uma mulher lindíssima!

O seu vestir, o seu calçar, o seu andar, o seu olhar, não havia homem algum que não parasse para a admirar.

Mas eu não sabia como havia de a abordar.

Eu olhava para ela, ela olhava para mim. E a nossa vida desde há muito que era assim.

Vieram os cumprimentos, mais tarde os sorrisos, mas quando era para lhe falar, parecia ouvir alguém gritar: Rapaz toma juízo!

E eu voltava ao primitivo.

Até que no dia de S. Valentim achei que não podia continuar assim. Já a tarde escurecia, chovia, mas decidi que não passava daquele dia.

Fui com ela falar. Aquilo que eu lhe disse não vou aqui contar, mas sempre lhes vou dizer o que ela tinha para me revelar.

- Não sou casada! O homem com quem me vês, é meu irmão, saiu duma separação, não tem mais de um mês.

Sinceramente, não sabia se ela estava falando grego ou chinês.

Fiquei petrificado. Como foi possível andar meses a fio apaixonado, sem lhe dirigir uma palavra, por pensar que ela era casada?

Os beijinhos que não trocamos, os carinhos que não tivemos, o tempo que perdemos… não nos amamos!

Meus amigos, um conselho lhes vou dar. Não vacilem, por favor, sempre que sintam no vosso coração o mais pequenino sintoma de AMOR!