Alexandre Brazão O Hospital dos Marmeleiros é um “marco” na paisagem da cidade do Funchal. O imponente prédio cor de rosa no alto da montanha, que agora evidencia uma larga cicatriz derivada à intensa desarborização a que foi acometido, apresenta-se cada vez mais isolado e esquecido.
O Hospital dos Marmeleiros é simbólico em diversas vertentes, desde a histórica, recuando até a presença dos alemães na Madeira, à emocional, encarnando a dor que para muitos representa. O actual estado em que se encontra, não é de todo digno dos desafortunados que a este têm que recorrer em busca de cura para as suas enfermidades.
Após o infortúnio trazido pelos incêndios que assolaram a cidade do Funchal em Agosto passado, o parque de estacionamento do hospital passa a ser considerado incapaz de suportar a carga automóvel que ali estacionava todos os dias, optando-se, por isso, pela proibição da utilização deste espaço. Os carros passam então a aglomerar-se na Estrada dos Marmeleiros, não só congestionando o trânsito, como também colocando em perigo os utentes, que em muitos casos não têm nenhuma alternativa senão estacionar o carro longe das instalações hospitalares. A inconveniência deste cenário prolifera-se também até aos habitantes da zona, que ficam muitas vezes incapacitados de entrar nas suas próprias habitações ao se depararem com os veículos dos utentes do hospital estacionados à porta das mesmas.
A também negociata que corre à boca pequena, respeitante à venda do Hospital (propriedade da Santa Casa da Misericórdia) e a construção dos novos pólos de internamento junto ao actual hospital central do Funchal, Hospital Nélio Mendonça, será justificação para que não seja feito uso do referido estacionamento e que, por consequência, o mesmo se deteriore?
Significa então, que o impasse quanto à hipotética venda e construção dos novos blocos junto ao hospital central imperatizam o não funcionamento dos estacionamentos nos Marmeleiros? E se não, o que justifica então esta situação?
É difícil, e mesmo, doloroso, ver pessoas idosas e/ou com pouca mobilidade a se arrastarem pela estrada sem a ajuda de passeios e condições próprias para peões, tornando a ida às consultas num verdadeiro inferno. Os dias de chuva são terríveis, não existindo nem abrigos dignos para quem utiliza os transportes públicos, nem condições para os utentes que são forçados a estacionar, como já referido, longe das instalações do hospital.
A Estrada dos Marmeleiros tornou-se um autêntico caos, onde os automobilistas param os seus carros à porta das casas, à saída de becos, em curvas perigosas, nas passadeiras, nas paragens dos transportes públicos e/ou pura e simplesmente onde lhes apetece (muitas vezes, precisamente por não terem qualquer outra opção) e dificultando desta forma operações do quotidiano, como é o caso da recolha de passageiros pelos transportes públicos ou a recolha do lixo. Muitos azelhas tornam-se abusadores ou muitos abusadores tornam-se azelhas, aguçados pela necessidade ou vontade de frequentar estas instalações e tornando assim PERIGOSO ir ao hospital...