Estamos hoje a viver um período de transição, estamos a realizar o presente e a construir o futuro. Isso significa também que experimentamos uma crescente necessidade de mudança, rápida e imprevisível. Vivemos um período de “agitação”, de mobilidade, de ajustamento, de compatibilidade, de transversalidade, de abertura resultante, em grande medida, da convergência ocorrida entre a indústria das telecomunicações e a indústria dos computadores e dos media. Esta convergência resulta na chamada “sociedade de informação”, que tem grandes reflexos na vida pessoal, económica, profissional e social das pessoas e na organização e funcionamento das organizações e da sociedade, ao nível dos instrumentos de trabalhos, das linguagens e meios de comunicação, informação e entendimento, da mobilidade e da competitividade. Exige-se uma nova linguagem na forma como se está a trabalhar, na forma como se está a pensar, na forma como se reage aos acontecimentos. E, ao contrário do que se ouve muitas vezes dizer, não pensemos que, em relação a este aspeto, Portugal seja um país atrasado em relação aos outros países europeus. As repercussões sociais destas mudanças já são mais que evidentes e afirmam que o recurso económico mais importante não é o capital, não é o trabalho, não é a terra, mas a informação e o conhecimento. O valor criado, é criado pela inovação e pela produtividade. São aplicações do conhecimento ao trabalho. Assim, os trabalhadores do conhecimento, as pessoas que lidam com a informação e com a comunicação vão ter predomínio sobre os trabalhadores dos serviços que têm de lidar com pessoas e com processos e que, por isso, vão ter um papel fundamental no relacionamento entre as pessoas. Neste contexto, podemos dizer que todas as atividades, mesmo aquelas que eram do tipo industrial, estão hoje a converter-se em atividades de serviços, de prestação de serviços. Baseada na tecnologia, cujo acesso é generalizado, a sociedade da informação vai permitir que a prestação de serviços concretizados por esta plataforma tecnológica seja diferenciada e personalizada. Isto significa que temos de preparar as pessoas para saberem adaptar-se às tecnologias, para mais tarde poderem diferenciar o serviço que prestam através dessas mesmas tecnologias. É também importante realçar o fato das “novas tecnologias” implicarem a utilização de novas formas de linguagem. Eu, e penso que a maior parte das pessoas da minha geração, fui educado a pensar com o lápis, que é uma forma de fixar a informação. Hoje, utilizo a máquina, o que exige uma forma diferente de análise, de processamento de informação e mesmo de relacionamento com as pessoas. É igualmente óbvio que a velocidade de comunicação é totalmente diferente entre o lápis e a máquina. Deste modo, é decisivo o reforço da capacidade das pessoas para “digerirem” a informação. Devido às infraestruturas que possuímos no âmbito do transporte e circulação da informação, estamos hoje a viver um período de total “overdose” de informação. Porém, é necessário fazer uma seleção. Isto exige que as pessoas estejam melhor preparadas para saberem analisar, escolher e lidar com a informação. Este vai certamente ser (já é) o valor acrescentado que as pessoas vão dar nos seus trabalhos e nas suas vidas e o grande desafio colocado à escola e à educação.

Marco Gomes