1. As recentes eleições gregas atiraram, não a Grécia, mas sobretudo a União, para um outro nível desconhecido, dum jogo que tem sido ditado nos últimos anos, por um clube de elite do norte, que espezinha uma periferia de sulistas (vistos como chulistas enjeitados), que se têm confinado calados, de coluna vergada, num processo contínuo de erosão da classe média e a uma degradação generalizada da qualidade de vida, que destrói qualquer base social. Infelizmente não têm faltado lacaios invertebrados, nossos representantes que enfatizam em jeito de traição, essas agruras lancinantes, que despedaçam a dignidade humana, e condenam gerações a retrocessos que julgávamos impossíveis de acontecer. Não sei se nos falta em Portugal, um Syriza. Mas sabemos, que quando a esperança se desvanece e perdemos a vara da jangada, somos obrigados a tentar outros caminhos, forçados pelo instinto de sobreviver. Acredito que foi isso que aconteceu aos gregos, e “nós” aqui confortados - com algum egoísmo involuntário a fazer figas para que este novo paradigma dê certo, e não seja apenas mais um “bluff” socialista “à Hollande” - apenas estamos a assistir ao sucedâneo da corajosa passada dada pelos helénicos, que de uma assentada, varreram o “status quo” vigente, que os conduziu à tragédia do momento. Se der certo, aí sim, muitos dirão: “Je suis Grec” e mandarão às urtigas, aquela moral cínica do sonso “bem-comportado” que nos impingem. 2. Estamos à distância de dois meses da data das eleições regionais antecipadas, e alguns partidos da oposição ainda andam entretidos em “castings” para saberem se irão coligados (e com quem), e a tentar repetir o desastre duma coligação “mudança”. Basta observar sob vários ângulos, o nauseante marasmo a que condenaram, a maior autarquia da Região. A coligação “mudança” das próximas regionais que vai ganhando corpo, tem um comandante que se confunde com seu imediato “entusiasta” e insurrecto - que não raras vezes se amotina, a roer a corda – e trazem rebocados à soma deste prodigioso “navio-fantasma”, mais algumas velhas canoas, já sem remos, oriundas dum “biotério” abandonado, feitas a partir duma carunchosa arca de Noé, mas que não dispensam o porto seguro do parlamento regional, do qual se viciaram para existir. Quem tem por único objectivo a soma de partes inconciliáveis, apenas para assegurar as prebendas parlamentares - ainda que mais emagrecidas pelo encolhido “jackpot” - está condenado ao fracasso, pois as pessoas estão cansadas de experiências matizadas. Só num “show” dos saudosos “Marretas” é que estes entes poderiam ser governo. Qual o partido ou coligação da actual oposição, é que vai combater um Jardim diplomaticamente aviado da liderança partidária e da Quinta Vigia? O PS vai conseguir enxotar o PTP dos comícios, tal como fez nas últimas autárquicas? Ou aparecerão juntos de mãos dadas com um ramo de oliveira, envoltos numa áurea branca com pombas brancas a verter paz? Qual a carinha laroca de entre os actuais líderes oposicionistas, que vai ser “photoshopado” por alguma agência de comunicação, para engodar o eleitorado madeirense/portossantense com esta soma folclórica? Vamos ser besuntados com mais uma maciça dose de pomada de sorrisos fabricados? Estou convencido que a pasta dentífrica vai-se esgotar nos próximos tempos! Previnam-se!

Donato Macedo Lic. em Comunicação