A Assembleia da República decidiu fazer baixar às comissões respectivas o diploma que criava um novo sistema fiscal para a Madeira. Sem discussão e sem qualquer referência ao seu conteúdo. Uma decisão que seria normal se não significasse o desaparecimento imediato da proposta, uma vez que o parlamento regional já está dissolvido e as eleições marcadas para Março. Até lá, aquela que ficou conhecida como 'lei Miguel de Sousa' vai aguardar a sua própria dissolução numa qualquer gaveta de São Bento. A decisão de não discutir a proposta foi um alívio para muitos. A lei que poderia criar um sistema fiscal diferente dentro do país era incómoda, sobretudo para os partidos que dizem fazer parte do tal arco do poder e, assim, conseguiram fugir à responsabilidade de aprovar ou rejeitar o diploma. É como o povo diz, 'enquanto o pau vai a vem, folgam as costas'. Até que seja instalada uma nova assembleia regional e empossado um governo, estamos na Primavera, depois a nova lei ainda tem de ser aprovada na Madeira e chegamos ao Verão. E acaba o problema, porque depois das férias a Assembleia da República vai à vida porque é tempo de pensar em eleições. Podemos concordar, ou não, com o conteúdo do diploma, o que não é admissível é a forma grosseira como foi tratado. Compreende-se o incómodo provocado pela lei aos partidos nacionais, mas já não se aceita o papel a que se prestaram deputados eleitos pelo PSD-Madeira. Nenhum deles poderia aceitar a missão de lavar as mãos e dizer que não era nada consigo. Mesmo aqueles que sabem que a sua guia de marcha, ao fim de décadas na Assembleia da República, já está assinada, deveriam ter vergonha de o fazer.