Se aqui defendesse a nacionalização da Banca portuguesa – o que não seria inédito porque o mesmo é proposto por algumas forças políticas em Portugal – os arautos do liberalismo rir-se-iam de mim. Em teoria eu também rir-me-ia com eles, mas a prática mostra-nos a todos que a salvação da ruinosa gestão de parte da Banca portuguesa está a ser paga pelos contribuintes, ou pelo Estado, o que quer dizer exatamente a mesma coisa. Aqui chegados, falemos claro: - Os “problemas” e os “aperfeiçoamentos” da supervisão bancária (Banco de Portugal) de que falam o atual e o anterior primeiro ministro são um eufemismo para caracterizar um falhanço das instituições públicas ao lidar com a ruinosa gestão privada da Banca (para ser meigo nos termos). E nem mesmo os “lesados” me desmentem: em entrevista à SIC Notícias, Jorge Tomé, presidente do Banif, foi claro: “O Banco de Portugal defende-se muito com as instâncias europeias. Temos de deixar de nos esconder atrás dos biombos das autoridades europeias”. Para quem conhece o habitual discurso hermético da alta finança, penso que estas afirmações são clarividentes. - Que outro sector da Economia como a Banca tem este favorecimento e esta almofada (o nosso dinheiro) para lhes corrigir os erros financeiros, alguns dos quais atualmente em investigação criminal? - Por quanto mais tempo pagaremos com os nossos impostos a má gestão de entidades privadas que ao primeiro deslize têm o Estado como “fiador”? - E porque razão foram os portugueses culpados no discurso da Direita política por terem vivido acima das suas possibilidades, quando agora se vê que quem viveu acima das suas possibilidades foi a Banca, ela própria também endividada nos mercados? - Nunca me incomodaram os tempos em que alguns se escandalizavam com os sucessivos e anuais lucros da Banca antes da crise. Por mim, prefiro empresas lucrativas que por via disso mesmo geram mais emprego e pagam mais impostos. Para não falar do BPN, só Banif e BES acarretam custos potenciais de seis mil milhões de euros para o Estado. Tal como já aqui escrevi, o Estado somos nós. Eu, você e os nossos concidadãos iremos pagar esta grande mentira. Não há PS ou PSD que nos salvem. [email protected]
Luís Sena-Lino, Consultor de Marketing e Comunicação