Arcanjo Delgado Se a tradição é os últimos 10 anos, se a tradição é um “ajuntamento” de pessoas que se empurram, acotovelam-se sem norte, sem saber o que fazer, a não ser andar à volta dos seus próprios rabos.. Se a tradição é isso, então eu não sei nada daquela que foi tradição de muitos anos.. famílias que iam ás compras, que deixavam pra esse dia o gosto e o prazer de ter as melhores tangerinas, o alegracampo, as “cabrinhas” bem frescas a ponto de poder enfeitar o presépio sem correr o risco de estarem murchas no dia do senhor.. Era um regalo pra vistas, as centenas de cestos com maçãs e laranjas frescas, em toda a volta do mercado.. Eram caixas improvisadas com galinhas e galos gordos, que se vendiam à ultima hora.. Era ver barracas que se estendiam até ao Almirante Reis, com brinquedos de outros tempos, de bonecas nuas, que regalavam as meninas da altura.. Sendo assim, presumo então que este aglomerado que se faz nos últimos tempos, à volta de uma sandes de porco, comidas por cabeças tolas, com barretes de pai natal, passou assim a ser a referencia..Coisa que não me admira numa ilha onde o que parece ser mais importante é a “poncha” feita com aguardentes das Américas, com vodkas da Ukrania e mel da China..