Pedro Câmara A morte lamentável e evitável de um jovem de 29 anos passado dia 22 no hospital de S. José é infelizmente mais uma razão para reflectir sobre o SNS. Porquê? Porque é importante defender o nosso SNS, a sua qualidade e eficiência, que têm sido brutalmente atacados em prol do sistema privado de saúde, particularmente quando sob a alçada do (e não me canso de dizer) antigo administrador da Médis, e ex-ministro da saúde Paulo Macedo!!
Parte desta solução para o SNS é o respeito pelos doentes e pelos profissionais de saúde, que mesmo que por vezes não pareça, e que por vezes a opinião pública ache que é corporativismo, vão de mãos dadas!!
Os médicos e enfermeiros não são escravos, têm famílias, filhos e doenças, são igualmente das categorias com mais stress e das mais desgastantes em qualquer situação, logo, ainda mais o são quando há falta de condições físicas e material!!!
Estes profissionais têm contratos de trabalho como todos os outros profissionais e mais do que a esses contratos não são obrigados, não são obrigados a horas extraordinários sem conta extra-contrato, e a verdade é que já as dão de borla à casa aos milhares, à custa de nada senão o seu próprio bem estar e saúde, e ainda quem sabe, devido ao cansaço e exaustão, da saúde dos doentes também.
É preciso financiamento condigno ao SNS, o problema não é a falta de médicos em Portugal é a falta de planeamento, de contratação pelo SNS e a falta de pagamento condigno à responsabilidade e desgaste!
A mensagem de que quantos mais médicos houver e quanto mais rápido é solução para um sistema de saúde de qualidade nada é mais do que pura demagogia e desperdício de recursos e dinheiro em formação universitária e pós-graduada não planeada para as necessidades do SNS e dos doentes.
Enquanto na Alemanha fecharam-se faculdades de medicina na presença de falta de clínicos no país (e vieram buscar aos países ricos do sul que dão-se ao luxo de formar em excesso) em Portugal abrem-se mais e mais vagas.
Sei que não seria suficiente para suprimir as carências, mas e que tal se os custos com esta formação excessiva em vez de serem canalizados para a Alemanha fossem canalizados para o SNS, para material, para as infra-estruturas, para o tratamento adequado dos doentes e para o planeamento e contratação adequadas bem como para pagamento condigno de todos os profissionais.