Conceição Pereira O Ocidente espantou-se pelo facto de as mulheres muçulmanas não terem direito ao voto e só agora ter havido voto feminino na Arábia Saudita. É verdade que é um atraso muito grande, mas este acontecimento abriu uma porta, talvez estreita, mas representa um passo civilizacional naquele país islamista. Pela primeira vez, as mulheres tiveram direito de votar e serem eleitas. E elegeram, pelo menos, 13 mulheres para lugares de poder. O sol raiou, aqueceu os corações de muitas mulheres e incitou, possivelmente, ao avanço na conquista de outros direitos. Segundo as leituras que fiz sobre este assunto, existe um movimento feminino no Kuwait pelo direito ao voto.. São passos fortes e revolucionários para os direitos das mulheres e levarão, naturalmente, a outras conquistas democráticas. A conquista de direitos legais e cívicos para as mulheres tem uma história triste e longa, manchada de autoritarismo e machismo. Atenas foi o berço da democracia, mas apenas para os cidadãos. As mulheres e os escravos não tinham quaisquer direitos. E seguiu-se um longo período da história da Humanidade sem democracia, sem votos, sem direitos cívicos. Segundo consta, a Nova Zelândia instituiu o voto feminino em 1892. Na Europa, Sociedade Cristã Ocidental, nasceu, em 1897, o Movimento das Sufragistas. Estas mulheres começaram a lutar pelo direito ao voto, mas só o conseguiram em 1918, depois de muitas lutas, prisões e mortes. Em Portugal, no início da 1ª República, 1911, Carolina Beatriz Ângelo exigiu o direito de votar, por ser viúva, chefe de família e alfabetizada. E conseguiu votar. Foi a primeira mulher que votou em Portugal. Mas logo os republicanos no poder alteraram a lei: “direito ao voto para chefes de família masculinos.” E foi em 1931, em plena ditadura, que algumas mulheres adquiriram o direito ao voto, cuja legislação foi sendo renovada em 1933, 1946 e 1968. Foi no pós 25 de Abril que a grande maioria de mulheres e homens ganharam o estatuto de votar e ser eleita/o. Faço votos para que as mulheres muçulmanas e muitas outras em várias partes do mundo continuem a avançar na senda do progresso democrático, conquistando direitos cívicos e sociais, em plena igualdade com os demais cidadãos. Mas o mais importante é saber utilizar os direitos, como o direito ao voto, que foi muito difícil de conquistar Custou sangue, suor e lágrimas. Carolina Beatriz Ângelo empenhou-se tanto na sua luta pelo direito ao voto, que só conseguiu no Tribunal e morreu algum tempo depois, esgotada das suas forças. Na hora de votar, na hora de exercer os nossos direitos, lembremo-nos da obrigação moral de contribuir, com os nossos actos, para a aplicação e conquista dos direitos democráticos e sociais e melhorar a nossa vida em comunidade.