A Câmara Municipal do Funchal resolveu limitar o estacionamento de automóveis no centro do Funchal e privilegiar veículos de duas rodas, particularmente os motorizados. É discutível, a nalguns casos parece-me claramente exagerado, mas não é por aí que quero avançar. Desde há vários anos que se tem vindo a assistir à redução sistemática do número de locais em que autocarros, e aqui falo especialmente de autocarros de turismo, podem parar no centro do Funchal. A argumentação do primeiro (menos poluição, e menos espaço), contraria a do segundo (um autocarro, transportando dezenas de pessoas, ocupa menos espaço, e polui menos que dezenas de motos). Continua a ser mais fácil forçar os transportes colectivos a manter-se em circulação (consumindo gasóleo, gerando poluição, e ocupando o espaço da cidade) do que abrir o espaço de estacionamento reservado a autocarros do denominado “cais 8”. Penso se será pelo facto das motos terem um lóbi que os autocarros não têm. Penso se será pelo facto dos condutores de motos votarem, e dos turistas, transportados pelos autocarros, não o fazerem, ou pelo menos não o fazerem aqui. Nalgumas alturas do ano há simultaneamente dezenas de autocarros a circular pela baixa do Funchal, enquanto os seus passageiros visitam o centro, o mercado, as caves de vinho ou as igrejas e museus da cidade. Há salvo erro, seis ou sete lugares onde podem parar, pelo tempo estritamente necessário para carregar ou descarregar os seus passageiros. Será que isto faz mesmo sentido? Já que estamos numa de “sem sentido”, estive esta semana no mercado. Uma tristeza, que será/é cada vez menos motivo de atracção de visitantes. Espaços fechados, multiplicação de cafés, descaracterização do que era um dos grandes motivos de interesse da baixa. Tinha curiosidade de entender os critérios, da CMF e do GR, que levam à tomada de decisões. De conhecer os estudos (?) que levam à tomada de decisões. Muitas vezes parecem-me arbitrários. Mais vezes ainda perece-me que não foram levados até ao fim… [email protected]