1. Em que lugar ficou a sua escola? “Em primeiro”, dirão alguns dos executivos presunçosos, aqueles que rapidamente produzem o ‘press’ da ordem, como se a malta dos ‘media’ ainda não soubesse onde ir buscar a informação ou desconhecesse os filtros que dão as habituais vitórias ou as lideranças parciais.
O ranking das escolas básicas e secundárias, ordenadas pelas médias nos exames nacionais, é martelado conforme as conveniências. Dá para fazer tabelas por distrito ou por concelho, por públicas ou por privadas, por crescimentos homólogos ou por rua, ou até por um número mínimo de provas ou pela dimensão. Impera a que der mais jeito para a escola brilhar. E até há jornais e ‘jornalistas’ a fomentar essa classificação por encomenda quando um dos critérios coloca no topo os de longe, distantes das capitais e da influência.
Este triste espectáculo repetiu-se no sábado passado. Só porque o mérito dos alunos da escola do Curral das Freiras deu nas vistas, para desgosto de um ou outro presidente mais urbano, embora encegueirado pelo provincianismo primário. Alguns seguiram a aversão vigente na Taça de Portugal em futebol e o expediente de quem tudo faz para afastar o Sobral ou o Pampilhosa da final. Prova ganha pela ultraperiferia não dá prestígio. É o que se depreende também do eloquente silêncio da secretaria da Educação.
2. Dizem que o portuense Jorge Sousa é o melhor árbitro de Portugal. Confirmou-o nos últimos dois dias o revelar uma coerência admirável. Com ou sem nevoeiro, seguiu o mesmo critério, fingindo não ver dois pénaltis contra o clube nortenho. Quem assim ajuíza merece dragão de ouro, com palma(s).
3. Um deputado do PSD na Assembleia da República, ainda nortenho, também não deve ter visto o ‘colinho’. Fixou-se no nevoeiro: “Este jogo transformou-se numa palhaçada total. Há que reconsiderar os jogos neste estádio. É a terceira vez...”, escreveu Carlos Abreu Amorim no Twitter. Esta gente não tolera o País real, também feito de microclimas e outras especificidades que o centralismo dificilmente percebe. Por muitos desenhos que lhes façam, pensam que Portugal acaba na Foz.