Agora é o cais 8 do Funchal. Ontem foi o filme Mulheres ao Mar rodado a bordo de um cruzeiro da MSC Cruises no Brasil que navegou nas Caraibas. Isto desperta-nos para a temática do desempenho da mulher na vida do mar em diferentes e diversos aspectos desde a Marinha, a actividades de lazer e piscatória directa e indirectamente.

Em todo o País do norte ao sul e nas ilhas é interessante ver esta trajectória do trabalho feminino e estudos que poderão advir destes temas.

A rota migratória no Estado Novo fez que por sobrevivência as mulheres de ligadas a famílias de pescadores, se dedicassem a pesca local em pequenas embarcações como em Vila Chã no litoral norte do continente português, até nas ilhas dos Açores –Faial com pelo menos uma família de pescadores em que A Mestre da embarcação é a própria Mãe, bem como outra embarcação toda ela feminina- A Arca das Mulheres, são elas as pescadoras. As escolas de formação profissional tem facultado estudos profissionais e académicos que num passado recente eram só masculinos. Há algum tempo uma instituição do Caniçal abordou esta temática num seminário local.

Os estudos académicos sobre esta temática vão desde teses de doutoramente de universidades holandesas até curtas metragens como é o caso do produtor/cineasta de Joao Canijo-É o Amor –rodado em Caxinas zona piscatoria emblemática de Vila do Conde mártir de naufrágios e mortes .

No Algarve, na Meia -praia, o cineasta madeirense Cunha Teles retratou esta comunidade piscatória com um papel preponderante das mulheres na defesa desta localidade para a faina da pesca. Na Madeira, nas freguesias do Caniçal e Machico, não eram as mulheres que trocavam o peixe pelos produtos da terra, transportado em seiras , sendo os homens da terra que o faziam. Contudo na zona sul desde o Campanário Madalena do mar Calheta e Paul eram as mulheres –as peixeiras que o faziam. Estes registos estão nos livros de João Luís Gonçalves e Benvinda Ladeira - Madalena do mar.

No Paul do Mar, o Dr. João Maurício criou um grupo etnográfico, as Peixeiras 1969 – numa alusão a esta actividade feminina.

Hoje o último reduto de um trabalho da única leiloeira de pescas na Região é Ana Paula Santos Menezes, filha de uma família de pescadores da Calheta que há 28 anos trabalha nas lotas da Calheta e agora na do Paul do Mar. Começou a trabalhar na limpeza na ex-lota da Calheta e evoluiu como assistente operacional na pesagem do peixe, venda de gelo, varagem dos barcos nos varadouros com guincho eléctrico e gruas.

Desempenha o seu trabalho com orgulho e profissionalismo. Num trabalho em que na generalidade a orla marítima na MADEIRA está mal tratada, descuidada e as gruas existentes na sua maioria não funcionam consistindo uma má decoração no socorro náutico e nas exigências pontuais que urgem resolver. Um bem-haja a esta profissional marítima.

Zita Cardoso