“Este clube foi feito por velejadores, para velejadores, para vocês! Quando precisarem que alguma coisa, seja do que for, falem connosco. Pode ser apenas um parafuso. Não comprem. Venham aqui, se tivermos, oferecemos. Se não tivermos, ajudamos a encontrar!” Isto foi-me dito, não por um dirigente do Real Club Náutico de Gran Canaria, -embora já ouvisse anteriormente respostas semelhantes - mas por um funcionário do clube. Encontrei-o nas oficinas, quando procurava uma ferramenta específica. Também o descobri no mar, colaborando com a Comissão de Regatas na montagem dos percursos da Semana Olímpica de Canárias. E mais tarde, a ajudar os velejadores a trazerem as suas embarcações para terra. Noutra ocasião, quando me perdi de bicicleta a caminho do Pico das Neves, o ponto mais alto da ilha, por estranhas artes do destino, encontrei um dos muitos técnicos que colabora com esta secular instituição desportiva. Acabamos a tomar um café e apercebi-me que era o responsável pelo Instituto de Educacion Felo Monzon, um organismo público de Gran Canária, que, entre outras valências, é responsável pela formação dos técnicos de vela do clube. Assim, todos eles, estão munidos das devidas competências, nos diversos níveis, desde a iniciação, até ao mais alto nível competitivo. No que resultou na mais emblemática parede que alguma vez tive o privilégio de contemplar. Nesta parede, entre dois pisos do clube, que terá seguramente uma altura de 10 metros, por outros tantos de largura, estão os nomes de todos os campeões oriundos desta colectividade, onde podemos ver muito da história dos 106 anos deste clube. Fascinante que desta ilha, de um só clube, possam ter saído tantos campeões! 7 medalhas de ouro Olímpicas, 42 títulos de campeão do mundo, 30 da Europa e 390 títulos nacionais. Tal não aconteceu por acaso. Foi fruto de vários factores: uma estratégia da própria comunidade, de clara identificação com as actividades náuticas; forte investimento público e privado, que resultou não só numas magníficas instalações desportivas, como, tão ou mais importante que isso, recursos humanos altamente qualificados e competentes; condições climatéricas perfeitas. Tudo resumido numa frase inscrita num monumento, à entrada da marina do clube: “Como no sabían que era imposible, lo hicieron.”

João Rodrigues Velejador