Um mês após as eleições legislativas nacionais, continuamos a viver uma tremenda incerteza quanto ao governo português. O mais estranho nisto que acabei de escrever é que já temos governo, mas, ao que tudo indica, um governo a muito curto prazo. E ainda mais estranho é que se cumpriu com o legalmente previsto. Independentemente do que venha a acontecer, não é possível a um pais como Portugal e ainda para mais na situação em que este se encontra, estar há um mês neste “jogo” de “é este o governo, mas calma que vai ser outro, ou não……” A coligação “Portugal à frente” venceu as eleições mas sem maioria parlamentar. O presidente da República portuguesa empossou o governo, mas o parlamento pode “deitar abaixo” o mesmo. O PS sozinho não pode almejar a ser governo, necessita do BE e PCP, e como tal estes mesmos partidos andam em negociações, cedendo e concedendo em alguns aspetos, permitindo dessa forma encontrar um acordo de governo, viabilizando o tão falado e propalado governo de esquerda. O nosso sistema parlamentar permite esta situação, ou seja, não sendo viabilizado o programa de governo, há que encontrar a melhor solução e se essa é o tal governo de esquerda, pois bem, que assim seja. Estando certo e seguro que quem votou PS não se identifica com o BE e PCP, quem votou BE, não se identifica com nenhum dos outros dois e quem votou no PCP a mesma coisa. E mesmo assim agora todos acreditam que podem pôr as divergências para trás das costas e criar um acordo de governo. Então se assim é, por que razão não entram no governo o BE e PCP? Se há um consenso, um alinhamento dos astros e tudo o mais, porque não juntar todos no governo? Pois bem, não ficando admirado creio que será por aqui que o PS vai cair. Viabilizar um programa de governo vincula BE e PCP mas não os compromete, ou seja, caso o PS, sendo governo, tente sair fora do alinhamento do tal acordo, quer BE, quer PCP saltam fora do mesmo e assacam responsabilidades ao PS. Parece que estou a ver, “ nós queríamos e estávamos de boa-fé mas o PS começou a inventar….” Temos assistido nos últimos dias a uma série de entrevistas onde nos é dito, que os salários vão aumentar, o descongelamento dos mesmos, as reformas vão ser repostas, os impostos vão baixar, o emprego vai aumentar, no fundo aquilo nos dizem é que o que é mau vai desaparecer e o que é bom vai surgir e em força. Numa bendita e anunciada semana de Novembro passaremos das trevas ao paraíso. Se assim é, pois então que se abram alas para este governo de esquerda, que venham e façam tudo aquilo que dizem. Como pagam isso tudo? Bem, pelos vistos isso agora pouco importa, mas creio que na hora do aperto dirão mais ou menos isto “ afinal aquilo que dissemos no acordo de governo de esquerda não vai ser possível concretizar porque a situação está pior do que nos diziam….”, a tal “ a culpa é deles, do PSD e do CDS, nós queríamos mas não vai dar…”. Mas aqui chegados, e como BE e PCP não fazem parte do governo, estes já terão saltado fora e o PS vai ficar com o “bebé” nos braços. Mas no fim desta novela, PS, BE e PCP não se esqueçam daquilo que andam a dizer durante estas últimas semanas, que estão lá porque os portugueses quiseram isso mesmo. Nota final, ainda não há acordo entre estes partidos. Curioso….. Ou talvez não….

Duarte Vieira Advogado