Terça-feira deu-se a anunciada queda do governo. Não se pode dizer que tenha sido inesperada, nem sequer não anunciada, mas é certamente uma mudança.

Não acredito que um governo de esquerda seja a solução para todos os males. Por um lado, tornar-se-á difícil, num contexto de recessão, inverter a tendência austeritária imposta pelo governo de coligação (pós eleitoral…) PSD/PP; por outro, a situação económica em que se encontra o país não se compadece com grandes horizontes.

Mas a viragem à esquerda tem vantagens inegáveis. A esquerda sempre teve uma perspetiva mais humana, mais social, da política. Logo, prosseguindo uma política de contenção orçamental – que será certamente necessária –, fará os seus cortes de uma forma muito mais sensível às necessidades da população, particularmente daquelas parcelas da população que são mais fragilizadas e mais sensíveis.

A esquerda estará necessariamente mais empenhada em resolver problemas crónicos da governação dos últimos anos, como sejam o desemprego e a emigração “forçada” que afastou do país centenas de milhares de pessoas ao longo dos últimos quatro anos.

Este potencial governo de esquerda (porque ainda tem de ser nomeado pelo Presidente da República) tem para mim outra grande vantagem, que é a de destruir o tabu da presença do BE e do PCP em governos. Abre-se assim o “arco de governação” por forma a integrar no sistema uma parcela muito significativa da população, que não se revia nos chamados partidos “tradicionais”, o que só pode ser positivo e louvável.

Finalmente, gostava que todos tivessem a noção que, sendo um passo na direção certa, não será de esperar milagres de um eventual governo de esquerda. O programa parece-me muito positivo, mas gostava de ter a certeza que é exequível e financiável. Mas isso ver-se-á com o tempo. Este novo governo dificilmente poderá ser pior que o que substitui… [email protected]

Roberto Loja