Lino Santos Desde sempre, que a formação de jovens jogadores de futebol é o cordão condutor de qualquer clube, quer para a aquisição de “matéria-prima” para o próprio, quer pela formação desportiva e social que promove nos que abraçam esta modalidade desde a infância.
Uma das virtudes necessárias na formação dos jovens jogadores é a paciência, um aspecto crucial nesta caminhada importante de aprendizagem: “ a paciência é amarga mas os seus frutos são doces” (Kant). As instituições têm de saber esperar o tempo que for necessário, proporcionando condições favoráveis para que ocorra tais proveitos, enriquecendo o seu património histórico com as conquistas colectivas e individuais dos seus atletas.
Ao ler o Diário Noticias (DN) reparei que o C.F. Caniçal ganhara a Supertaça ao Pontassolense em futebol, conquistando deste modo mais um triunfo para a sua sala de trofeus. Naquela secção de desporto, o presidente do C. F. Caniçal queixou-se da C. M. Machico pelos cortes efectuados recentemente, e entre outras coisas afirma que a instituição C.F.
Caniçal tem 140 atletas, acrescentando ” gestão cada vez com maiores dificuldades.”
A questão do número de atletas suscitou-me algumas interrogações, entre as quais o facto de todos os escalões desde os iniciados utilizarem jogadores dos escalões anteriores, não para a promoção dos mesmos mas para completar as equipas.
Criou-se um ciclo em que os iniciados necessitam dos infantis e assim sucessivamente até aos juniores. Vários jogadores fazem dois jogos aos fins-de-semana (sábado e domingo, em escalões diferentes) durante praticamente todo o ano. O número de jogadores é quase sempre deficitário nos boletins de jogo… Porque o que interessa é mostrar quantidade e não qualidade. É de questionar onde estão os 140 atletas…
Não existe transporte para a deslocação dos jovens atletas do Caniçal aos treinos, mas os jogadores de fora da freguesia usufruem do mesmo. É do conhecimento geral que a distância entre o campo de futebol e a área residencial é distante e íngreme. Os jovens, na época de Inverno têm que se deslocar a pé, quer faça vento, frio ou chuva. Perante estas condições climatéricas, parte dos atletas opta por não comparecer aos treinos.
Uma sugestão para uma poupança nos transportes seria utilizar as carrinhas para interesse da comunidade e não de alguns funcionários do clube, como idas à Serra no Domingo de Ramos, por exemplo, para uso exclusivo da família.
Os seniores do C.F. do Caniçal sagraram-se campeões da Divisão de Honra na época passada. Desde já endereço os meus parabéns! Creio que o clube fez um grande esforço para adquirirem os melhores jogadores do mercado madeirense.
Naturalmente que os melhores jogadores são também os mais caros! Regem assim as leis do mercado! No entanto, qual não foi a minha surpresa quando perguntam ao presidente do clube, sobre a ida aos nacionais. Com a sua resposta “quando chegar lá veremos”, indicou a sua falta de estratégia e de objectivos construtivos para com esta colectividade, associados e comunidade em geral do Caniçal.
Então, foi gasto uma “pipa de massa” para assegurar os melhores jogadores do mercado e foram pagos com certeza prémios de jogos a condizer com os objectivos propostos e qual foi o retorno real deste feito? E responde com esta leveza de espírito? Será vital ser campeão todos os anos e não olhar para os jogadores vindos da formação? Reclamam-se dinheiros públicos para mais do mesmo? Que objectivos são estes e a quem é que este cenário interessa?
Por outro, e levando em linha de conta, o número de adeptos que esta colectividade atrai para os seus jogos, facilmente verificamos que a esmagadora maioria da população desta vila não comunga desta política de contratações excessiva de atletas vindos do exterior.
A título de exemplo, na época passada, quando foi celebrada a conquista do título de campeão no seu estádio, as bancadas estavam simplesmente desertas, o que contraria o objectivo de um clube que é promover o espírito de colectividade e engrandecimento de toda a população caniçalense por este triunfo.
Este sentimento verificava-se num passado, não muito distante, quando a equipa sénior era composta por maioria de jogadora prata da casa.
Já não se pode afirmar “Sempre foi assim”…
Que saudades desses tempos e do sabor maravilhoso da vitória em que não era sentida só por alguns mas sim pela maior parte da população, com comemorações pelas ruas e estabelecimentos da freguesia.