O CDS-Madeira prepara-se para uma nova etapa na sua história política, decorrente da demissão de José Manuel Rodrigues. Quando um líder deixa uma marca indelével, no melhor sentido, a sua sucessão, não sendo prudente, pode abrir feridas internas muito difíceis de sarar. Não é despiciendo o facto de partirmos de uma realidade que todos os militantes e simpatizantes do CDS Madeira terão certamente presente e que é o seguinte: quem herdou um partido que tinha apenas dois deputados na Assembleia Legislativa Regional, tonando-o, desde 2011, no maior partido da oposição, deixa no presente, com vista ao futuro, um legado de enorme peso e que será, certamente, o ponto de partida para a nova senda que a democracia cristã regional vai começar a trilhar. Os desafios dos futuros dirigentes do CDS, eleitos no próximo congresso de Dezembro, é de enorme responsabilidade e, por isso, o apelo que de aqui fazemos é que respeitemos aquele que nos conduziu ao longo de 20 anos pelo trabalho realizado e que, a partir do congresso que se avizinha, todos trabalhemos para a unidade do partido.
Por este conjunto de pressupostos acreditamos que uma terceira via é, porventura, aquela que tem melhores condições para unir o partido, evitando que os arranhões já surgidos no CDS, provocados por opiniões que têm vindo a ser escritas em blogues e redes sociais, não se transformem numa enorme e profunda ferida insarável por um período de muitos anos! Veja-se o que sucedeu com o partido socialista que, após disputas internas centradas, sobretudo, nos ataques pessoais e não no debate de ideias e propostas para o futuro do mesmo, passou de segundo partido na Região para o quarto partido nas últimas eleições regionais de Março!
O dever de cada militante do CDS, neste momento político interno do partido, é contribuir, responsavelmente, para que se faça uma transição de liderança o mais pacífica possível e que o novo timoneiro do partido respeite todos os militantes, oiça com muita atenção os jovens centristas, se aperceba daquilo que os autarcas e dirigentes do mesmo sentem nos respectivos concelhos e seja sensível aos anseios das pessoas, necessitando, sobretudo, de olhar para o presente, sem se preocupar já com o futuro, pois este ainda não existe, sendo no hoje que poderemos encontrar as soluções para as pessoas, minimizando as causas do sofrimento das famílias, dos jovens dos nossos mais velhos. Dentro do CDS deve aparecer, em nosso entendimento, uma terceira via que trabalhe a unidade e respeite a herança do partido que foram, na realidade, quem nos permitiu sermos o maior partido na Região, logo a seguir ao PSD que nos governa há 40 anos!
António Lopes da Fonseca