Na última década, a União Europeia tornou-se num gigante mundial alargando o seu território para 28 Estados-Membros (EM). Internamente, encontra-se ainda no processo de consolidação do seu último alargamento e, a procura de consensos com 28 Estados-membros exige perícia negocial e alta competência técnica.
Simultâneamente, e porque a Europa deseja ter um papel importante na geopolítica mundial, decorrem actualmente negociações para a adesão à União Europeia da Albânia, da antiga república jugoslava da Macedónia, do Montenegro, da Sérvia e da Turquia.
Presentemente, a Europa enfrenta uma entrada massiva de refugiados no seu território só comparável ao movimento migratório de refugiados ocorrido na II Grande Guerra Mundial. A Amnistia Internacional estima que à Europa tenham chegado 50 milhões de refugiados só até o início de Agosto deste ano.
Com o acolhimento massivo destas pessoas, a União Europeia está perante um novo alargamento ao que intitulo de “alargamento sem face”. Um alargamento que não se traduz na agregação dum território físico, mas que integra uma população de milhões com princípios e valores diferentes e que exigirá um papel importante aos líderes de todos os EM, para a manutenção da paz no seu território e para promover a paz entre os actuais residentes e os novos habitantes.
Se do ponto de vista humanitário, compreende-se a necessidade de arranjar soluções para ajudar pessoas que estão a viver situações desesperantes e à qual sou solidária, também não é de desvalorizar a opinião daqueles que nos alertam para as questões de segurança.
A Europa foi alvo de mais um ataque terrorista. Desta vez foi em França, em Paris. Mas o autoproclamado Estado Islâmico já veio glorear-se com uma ameaça futura em Londes, Roma e Washington, afirmando que tem já 4.000 jihadistas por entre os refugiados.
O cenário actual é resultante da falta de actuação dos principais actores mundiais, sobretudo das Nações Unidas, em que a Europa também é actuante. Esta deslocação massiva de pessoas resulta do clima de insegurança que se vive nos países onde aqueles refugiados habitavam. Há quanto tempo se sabe das situações devastadoras da guerra da Síria, no Irão e em todo o Médio-Oriente? Que medidas tomaram os membros das Nações Unidas? Porquê se chegou a esta situação?
O acolhimento das populações que fogem não resolve os problemas que estão por detrás destas questões. É preciso resolver os problemas daqueles países a fim de se proporcionar a paz mundial. É esse o propósito da existência das Nações Unidas.
Internamente, a Europa na ausência de políticos fortes e na luta pelo poder entre os vários EM, foi incapaz de criar uma estrutura de defesa europeia forte. Não com o objectivo de entrar em guerra com outros países, mas porque, muitas vezes, para evitar a guerra precisamos ser fortes para disuadir o ataque externo.
A França foi atingida. O número de mortos é grande. O número de feridos também. A sociedade francesa caminha para extremismos. Olho por olho, dente por dente não poderá ser a resposta a dar a estes acontecimentos. Mas não fazer nada é também dar um sinal que tudo nos podem fazer.
A crise económica e financeira e o desemprego levam as pessoas às catacumbas do piorio do ser humano.
A Europa está com um novo desafio muito perigoso pela frente. A gênese do projecto europeu é a criação e manutenção da paz na Europa.
Tenhamos a sabedoria para simultâneamente proteger as nossas famílias e acolher com humanidade os que necessitam de nós.
Fátima Ascensão