Cidália Gouveia Um dia destes vi a notícia que o sindicato dos enfermeiros admite faltar cerca de 400 enfermeiros no serviço regional de saúde e, perante tal, gostaria de dar a minha opinião. Não sou contra o sindicato e concordo na falta de enfermeiros, pois reconheço o trabalho destes profissionais e, tanto a nível hospitalar como em alguns centros de saúde, nota-se que exercem trabalho pesado, árduo e sem qualquer reconhecimento, infelizmente.
Porém, uma coisa sempre me fez confusão: a grande maioria dos enfermeiros tira especialidade para “nada fazer” e isso revolta-me perante o trabalho dos chamados “generalistas”, que devem ganhar menos e fazer muito mais.
Acho incrível como é que o sindicato, a ordem e até mesmo o SESARAM permite o exercício de certas especialidades, pois, com a falta de enfermeiros, o que mais se observa nos centros de saúde é enfermeiros a quererem se passar por outros profissionais, nomeadamente, os enfermeiros de reabilitação a quererem ser fisioterapeutas (sem saber fazê-lo) ou professores de educação física (pois dão ginástica nos centros), os de saúde mental a quererem ser psicólogos, os de comunitária a quererem ser assistentes sociais e isto para não falar dos enfermeiros chefes, que nada fazem e, ainda existem centros de saúde com 2 chefes (ridículo). Assim, por consequência, todo o trabalho de um verdadeiro enfermeiro é deixado para trás. Isto não se adequada aos enfermeiros generalistas nem às especialidades que faz todo o sentido haver (de família, saúde infantil, obstetrícia, etc.), porém estas que foram anteriormente referidas (reabilitação, saúde mental, comunitária), que são áreas de intervenção de profissionais já habilitados e especializados não tem qualquer sentido que sejam “intrometidas” por enfermeiros pseudoespecialistas. Acho isto completamente inaceitável e, colocando-os a fazer o seu verdadeiro trabalho, para o qual se licenciaram, sempre faltariam menos enfermeiros na saúde da Madeira.