António Costa aventurou-se num exercício de equilibrismo político e quer arrastar o país para uma experiência que não foi a escolhida pelo povo a 4 de outubro.
Após ter criticado a vitória “poucochinha” de Seguro nas Europeias e inconformado com a sua derrota eleitoral, Costa traçou uma linha vermelha para a sua sobrevivência. Desde a primeira hora, essa linha vermelha excluiu qualquer solução compatível com o sentido de voto expresso pela maioria dos eleitores: a estabilidade política e a governabilidade do país, dando garantias firmes quanto aos compromissos externos assumidos e às grandes opções estratégicas adotadas pelo País.
O arranjo que António Costa conjurou com a extrema-esquerda não corresponde, nem de perto nem de longe, àquelas premissas. Contrariamente ao que tem sido dito, não há nada que garanta estabilidade ao país. E não pode haver! Além da vontade de excluir o PSD/CDS do governo, nada une aquela gente. Na própria rejeição do Programa de Governo não houve acordo para, por exemplo, apresentar uma moção conjunta. Existiram três!
Pior! Pouco antes de derrubar o Governo, legítimo vencedor das eleições, a esquerda despachou à socapa, na esquina de uma mesa, um arranjo político que, a ser viabilizado, será desastroso para o país. O mais sórdido é que, tomando-nos por parvos, e na evidente incapacidade de firmar um acordo – reforço: ACORDO – entre o PS, PCP, BE e Os Verdes, numa espécie de pesadelo orwelliano, António Costa inventou uma nova terminologia, tão inconsistente quanto os supostos compromissos que os une, a que deu o nome de «Posição Conjunta». De conjunta tal posição não tem nada. Foram assinados três “papéis” em separado, com direito à foto para a posteridade, com a originalidade de nenhum deles vincular o outro.
Cabe ao Presidente da República decidir, o qual já iniciou a ronda de auscultação aos partidos e parceiros sociais, para avaliar as condições de uma solução governativa firme. Os primeiros sinais já vimos são de desconfiança e de rejeição até e confederações sindicais.
Desconhecendo a decisão que será perfilada pelo Presidente da República, não posso deixar de expressar que, face à inconsistência da «posição conjunta» rabiscada na roda da mesa e à fragilidade com António Costa se apresenta para chefiar um governo, considero ele não deve ser indigitado. Para além de resultarem de arranjos políticos de “má-fé”, cozinhados nas costas dos portugueses, os “papéis” assinados não dão garantia de governabilidade ao país. Não resistirão à primeira dificuldade.
Por isso, das duas uma: ou o Presidente da República força Costa a se deixar de jogos e apresentar um acordo que coloque em primeiro lugar o interesse do país ou então indigita um governo de gestão, até que estejam reunidos os requisitos para convocar novas eleições.
Este tempo não é para “brincadeiras”. Devolvamos ao povo a decisão de escolher. Veremos se preferem o reformismo da coligação PSD/CDS ou o retrocesso e a instabilidade prometida pela esquerda. Permitamos que o povo escolha, sem jogos, qual das duas opções estratégicas deve o país adotar para o futuro.
Pedro Coelho