Numa altura em que o mundo dá indícios de querer arrancar com o comboio da recuperação, é fundamental que Portugal consiga a estabilidade política necessária para não perder este comboio, mesmo que, como já vem sendo habitual, só o consiga fazer na última carruagem.

A liderar a recuperação económica mundial estão os Estados Unidos da América, que já se preparam para subir a taxa de juro de referência, coisa que não acontece desde 2006. O desemprego e a inflação são as principais variáveis que a Reserva Federal usa para tomar esta decisão, e estes dados têm provado que estão cada vez mais sólidos. Para além do aumento na criação de emprego, os salários têm sido incrementados a um ritmo superior ao esperado, o que é um sinal claro de recuperação.

Os Estados Unidos e a China representam quase de 40% do PIB mundial, pelo que é fácil aferir que se estes dois gigantes melhorarem as suas economias, os restantes países também serão afetados positivamente. Mas ao contrário dos Estados Unidos, a China tem gerado mais dúvidas, pois tem mostrado alguns sinais de alarme. Mas seja como for, se conseguirem um crescimento em 2015 de 6,5%, continuarão a contribuir para que a economia mundial se situe acima dos 3%, o que indica que o planeta estará em expansão económica.

A Europa, representa cerca de 20% da economia mundial, e portanto, a sua evolução também é fundamental. A recuperação económica europeia está a um ritmo muito lento, pela falta de investimento e pela divida excessiva de quase todos os seus países. A subida da taxa de juro nos EUA pode ser muito positiva para a recuperação europeia, porque ao encarecer o financiamento vai provocar que haja menos quantidade de moeda no mercado e consecutiva valorização do dólar face ao euro. Se somarmos a desvalorização do euro às medidas expansivas que se esperam do Banco Central Europeu, podemos esperar uma maior procura de produtos e serviços europeus que podem contribuir para o aumento da competitividade da Zona Euro. Podemos também esperar, como já se tem vindo a verificar, uma maior procura dos Norte-Americanos por destinos turísticos como Portugal, uma vez que a Europa está cada vez mais acessível aos bolsos dos norte-americanos. O problema, segundo me parece, é que enquanto a locomotiva se prepara para andar, alguns países europeus continuam demasiadamente longe da estação de comboios.

Historicamente Portugal tem desperdiçado todas as oportunidades para criar uma economia forte o suficiente para se regenerar de períodos economicamente menos favoráveis. Seria uma pena voltar a perder mais uma oportunidade. Seja qual for a decisão do Presidente da República, e seja qual for o governo que venha a governar o país, o essencial é termos uma solução governativa estável, para superar o programa de assistência financeira e aproveitar a conjuntura para sarar as feridas da crise financeira e para terminar de fazer as reformas necessárias à transformação de uma economia débil e inerte numa economia mais competitiva e reativa.

Luís Pedro Branco