Émentira sim senhor, eu nunca pedi um beijo, quem mo deu foi meu amor! Letra e música de Arlindo Eduardo Carvalho ... “Chapéu Preto” ... quem se lembra desta canção? Com um refrão destes, se ilustra muito bem as ingénuas guerrilhas dos partidos nestas eleições legislativas, alguns deles novos em folha, ainda não viciados, mas, conseguindo mentir tanto como os mais antigos. Numa curta análise, á minha maneira - porque é assunto para o qual não sou muito sensível - votar em A+B, em opinião de alguns, é ficar tudo igual, continuar a austeridade - desnecessária segundo esses - com graves riscos do Estado Social; se votar em C, acaba a austeridade, acabam todas as ameaças de perdas salariais, salvaguarda-se a Segurança Social - afinal foi um simples erro de percurso ... dando a volta ao carro para trás, seguindo o caminho inverso chegamos ao Éden Prometido; votar em D,E,F,G... etc, é votar em soluções todas elas melhores que a actual, mas com decisões e medidas mal explicadas, mal esclarecidas e quiçá pouco exequíveis. E como sabemos em que País nascemos e vivemos, viciado nas origens, minado e hipotecado por acordos inexplicáveis, recheado de parcerias absurdas - as PPP´s têm os ases do trunfo e o Estado tem os ternos e os duques - com uma Constituição que mais parece uma “velhota” equipada com o mesmo vestido comprido há quarenta anos, com uma maquilagem facial discretamente diferente, parecendo afinal o que é, e não o que devia ser: uma idosa activa bem cuidada e principalmente útil, ou então - e bem melhor - uma jovem esclarecida e organizada, preparada para os desafios actuais e futuros. E vivendo neste universo constituído por 50% de idosos e reformados, com alguma laxidão instalada, com desconhecimento generalizado e analfabetismo cultural, com este cenário, fácil é cantar a canção “ Chapéu Preto” e dar a beber a poção mágica, ... que vai trazer a genica para os próximos quatro anos. Mas as mentiras, não são exclusivamente nossas ... um Estado Europeu, intitulado motor da Europa Unida, exemplo de labor, autoritarismo, disciplina e suposta seriedade, foi o grande palco mundial, de uma fraude de escala monumental, com consequências económicas mundiais e repercussões futuras, também monumentais. Esses mesmos que nos criticaram pelos nossos exageros e disfunções, afinal padecem dos mesmos defeitos, até mais gravosos, porque são eles que decidem os rumos ou os trajectos, porque são eles os donos do dinheiro, ... que foi ganho afinal, sem regras e sem escrúpulos. Vamos mais uma vez votar, aceitando que estamos numa democracia, que vamos usar o nosso voto em prol de novas prespectivas que corrijam os erros recentes - porque os erros antigos só mudam, mudando a figurinha na nossa velhota Constituição - que nos tragam desenvolvimento sustentado e principalmente, nos tragam futuro assegurado e garantido. Não precisamos de salvadores porque a Pátria não está em risco. Precisamos de competência - leiam bem, competência - que tem de prevalecer, ... porque se no desporto, quando legal e leal, os melhores ganham, na política deve ser absolutamente idêntico. Citando “Pitigrilli” - Ensina-se aos jovens a dizer a verdade, para pô-los em estado de compreender a utilidade da mentira! Mas se a verdade não comandar o mundo, estamos mesmo muito mal ... !

José Manuel Morna Ramos