O povo português elegeu uma maioria absoluta de deputados e deputadas de Esquerda (PS+BE+CDU) na Assembleia da República. Com efeito, sem contar com os eleitos da emigração, estas forças políticas têm, juntas, 121 deputados e deputadas, o que garante uma larga maioria parlamentar mais do que suficiente para suportar um governo estável e duradouro que rompa com a austeridade e com a política de empobrecimento com que as direitas (PSD/CDS) puniram os portugueses. A porta-voz do BE, Catarina Martins, ainda antes das eleições, desafiou o PS a discutir três questões fundamentais para uma governação que rompa com as políticas de desgraça social: acabar com os cortes nos salários e nas pensões, abandono da ideia de reduzir a TSU e não facilitar despedimentos. Mas o PS parece já ter decidido que a vontade dos portugueses, que deram a esmagadora maioria dos deputados ao PS+BE+CDU, é para ser desrespeitada porque os socialistas não querem dialogar nem convergir com as forças à sua Esquerda. O líder do PS/M, Carlos Pereira, no Programa Parlamento da RTP Madeira, na passada terça-feira, até acusou o BE de fazer demagogia afirmando que as propostas para negociação não são sérias, por serem radicais e extremistas. Então, defender os salários e as pensões e garantir que não se facilitam os despedimentos é ser radical?! Para o PS Madeira, quem defende as pensões e os salários e o direito a um posto de trabalho é extremista e pouco sério?! Caro Carlos Pereira: Pouco sério, e até traição aos milhares de votantes no PS, é alinhar com a direita e deixar passar um governo suportado pelas forças que tiveram a minoria dos votos e dos mandatos na Assembleia da República. Pouco sério e traição é desrespeitar a vontade dos portugueses que deram uma maioria absoluta claríssima ao PS+BE+CDU! Sim, estes partidos juntos tiveram a maioria esmagadora dos votos e têm a maioria absoluta dos deputados na Assembleia da República e, se o PS quiser negociar, podemos ter um governo de Esquerda no país que salve os salários e as pensões, acabe com austeridade, que mata, e dê uma nova Esperança a Portugal! Ainda é possível uma governação de ruptura com as políticas do PSD/CDS. Não quero acreditar que, por teimosia, o PS queira continuar a impor sacrifícios aos portugueses. Os milhares de pessoas que votaram no PS não perdoariam tamanha traição! Post-Scriptum: Faleceu o Jornalista Luís Miguel França. Ainda na passada segunda-feira teve a amabilidade de me enviar uma mensagem a felicitar-me pelos resultados eleitorais. Posso dizer que era seu Amigo. Travámos algumas vezes debates políticos e encontramo-nos com frequência nas esquinas onde se cruza a política e o jornalismo. Um Homem de convicções, sério, afável e gentil. Um Democrata e um Amigo. Estou desolado. Um abraço de solidariedade à Basília e à sua filha. A vida é injusta. Ficamos todos mais pobres. Até sempre!

Roberto Almada Coordenador do BE