Muito se fala da idade dos nossos clientes e, quanto mais o fazemos, mais opiniões vemos saírem da toca. Legítimas, claro, mais ou menos bem fundamentadas, que isto de exercitar o “acho que” é desporto nacional e faz bem à saúde. Sirvo-me de um exemplo sobre o qual li recentemente para gastar os meus parcos caracteres sobre o tema, tendo pena que o negócio não seja regional. Uma dona de uma banca de peixe no mercado, negócio herdado de uns tios que, à beira de fechar, foi salva pelo filho de um fornecedor, interessado em dinamizar essa banca. Os dois juntos têm pouco mais do que a minha idade… Complementam o conhecimento técnico sobre a arte do vender peixe com uma comunicação divertida, moderna, criativa, que faz com que locais e turistas lhes entrem pela porta dentro, curiosos. Mudaram horários (ai, que lá vou eu meter-me em assados com o Sindicato), fazem entregas em casa, juntam ao peixe alguns produtos de mercearia, criam momentos. Mudaram a embalagem, para evitar que o peixe pingue dos sacos, dão instruções de funcionamento, preparam tudo para os preguiçosos. Usam redes sociais a toda a hora e sabem que a informação é como a concorrência: - há muita, o que exige permanente atenção. E quem lhes entra pela porta? Pois é… Faixa etária de + 55 anos, mais mulheres que homens. Aqueles chatos, que têm mais tempo, mais rendimento disponível, mais poupanças. Aqueles que nós hoje estamos a querer dispensar. Para rejuvenescer. Bem sei que turismo não é a mesma coisa que vender peixe mas o critério para mim deve ser semelhante e baseado numa premissa: - os chamados velhos, hoje, não têm absolutamente nada a ver com os chamados velhos de há 10 anos atrás. Nem de há 20! Mas é com eles que temos de comunicar! Mantendo as características intrínsecas e diferenciadoras do nosso produto, inovando onde possível mas sem nunca as perder, comunicando pelos meios hoje ao dispor de forma divertida, simples e apelativa. Mudando a embalagem, eventualmente… Eles, os que agora são novos, viajam todo o ano e procuram tradição aliada a inovação, serviço, conforto. Pagam por isso desde que sintam que recebem bom retorno. Usam tecnologia. E repetem a experiência! Os velhos, agora, são assim.
André Barreto Gestor