S casos BPN, BPP e,mais recentemente, BES, mancham o exercicio da actividade bancária e o próprio regulador, de forma que nos deve preocupar, pois a credibilidade no sistema financeiro é uma base importante de qualquer economia.

O caso BES terá atingido grupos de pessoas cujos perfis de risco estavam desadequados dos produtos adquiridos. Não são os bancos obrigados a obter dos clientes informação sobre os seus conhecimentos dos mercados financeiros quando acedem a determinados produtos? De que serve essa informação objecto de ficha de informações específica? É lixo! Senão não teríamos investidores envolvidos em operações de papel comercial e obrigações perpétuas, adquiridas com a desmobilização de Depósitos a Prazo, fruto de anos de sacrifício e vidas regradas.

Vem o supervisor atribuir responsabilidades aos lesados, pela sua iliteracia. Gostava de conhecer o perfil dos lesados: áreas de residência, escolaridade, profissão, peso do papel comercial subscrito no total de poupanças no BES, à data da subscrição, de forma a melhor perceber para que lado pende a maior responsabilidade: comprador ou vendedor do papel. Vivemos num país em que para se abrir uma conta bancária é-nos apresentado 20, 30 ou mais folhas com regras e autorizações que mais não são do que uma evidência do desequilíbrio de forças entre banco e cliente. Imagine contestar uma alínea dessas inúmeras regras... O mal é generalizado a toda a banca pelo que deverá verificar o seu colchão já que não lhe restará alternativa para guardar as poupanças. Surpreende-me que se considerem estas praticas normais e aceitaveis.

Rui Gomes Coelho