Comecemos pelo óbvio: Bruno Paixão não tem qualquer capacidade para ser árbitro de futebol. Conhece as regras do jogo? Admito que sim. Em termos técnico-teóricos, será alguém com conhecimentos senão não teria chegado ao patamar mais alto da arbitragem portuguesa. Porém, no campo, não tem qualquer sensibilidade para o futebol. Nem é uma questão de estilo. Simplesmente não tem apetência para decidir e faltam-lhe capacidades para gerir um grupo de homens, cuja profissão é precisamente jogar futebol. E arbitrar é mais do que aplicar um conjunto de regras. Há 17 regras na arbitragem, mais a 18.ª, que é a do bom senso.

E, infelizmente para todos nós e para as nossas equipas, ele liga mais às 17 primeiras. Não é a primeira vez, nem será com certeza a última, que Bruno Paixão tem arbitragens como a do último sábado. Basta ‘googlar’ um pouco e damos logo de caras com o célebre “Campomaiorense – FC Porto”, em 1999, ou o Gil Vicente-Sporting em 2012. Há de tudo um pouco, inclusive uma petição a pedir o afastamento de Paixão dos jogos da I Liga e um período de protecção policial após ameaças feitas ao árbitro de Setúbal. No entanto, por aí continua a aterrorizar os campos pelo país desde 1997. Aos 41 anos, a três e meio da idade da reforma, está de pedra e cal na primeira Liga, promete continuar a sua saga demolidora. É caso para dizer: volta Marco Ferreira, estás perdoado!

E o que dizer do jogo? Para começar, quando se fica privado de um jogador logo aos 19 minutos de jogo, tudo se torna mais difícil. Se ainda posso aceitar o primeiro cartão, o segundo é de bradar aos céus! Mais complicado tudo se tonar, e o urro de lamentação sobe de tom, quando, num lance bem mais grave e que põe em causa a integridade física do atleta, nem falta é marcada! E nem comento os pénaltis que ficam por assinalar ou aquele que foi assinalado a favor da Académica! Assim é difícil falar da partida sem parecermos aquele adepto do “quinze-a-zero”, totalmente alheado da realidade! Mas esta é só uma e essa é indesmentível.

Só o Marítimo quis ganhar o jogo. Mesmo a jogar com dez e cedo privado da sua unidade mais criativa (Ghazaryan) sacrificado em prol do colectivo, teve as melhores oportunidades que, por infelicidade ou mérito do guardião contrário, não foi capaz de concretizar. É daqueles jogos que deixa o adepto completamente frustrado. Porque sabe que perde um jogo que não podia perder, que sabe e tem plena consciência que em condições normais tinha ganho o jogo, possivelmente até com alguma margem de conforto. E porque naturalmente estes pontos irão fazer falta no objectivo final proposto.

O Marítimo só regressa à competição a 18 deste mês, defrontando o Lusitânia de Lourosa do campeonato nacional sénior, em jogo a contar para a terceira eliminatória da Taça de Portugal. Um embate onde somos naturais favoritos, sendo esta a oportunidade de registar a primeira vitória fora da ilha. No fim-de-semana seguinte abrimos as portas ao Paços de Ferreira, numa oportunidade de expurgar este mau espírito e conquistar os três preciosos pontos.

Uma palavra final dedicada ao Sr. Presidente do CF União: parece que tem dificuldades em perceber que o estádio nos Barreiros, que hoje se chama “Estádio do Marítimo”, é propriedade do Club Sport Marítimo. Como gosta de documentos jurídicos, recomendo a leitura do artigo 4284, apresentação 1364 de 2009/06/25, discrição n.º 34019 do Livro n.º 95, da Conservatória do Registo Predial do Funchal, freguesia de São Martinho. Vale a pena.

Luís Miguel Rosa