José Vieira Há muito que querem substituir os táxis por um serviço dito mais barato ( vale tudo para diminuir o desemprego)! Carrinhas particulares, carrinhas de restaurantes conduzidas pelo “João das batatas”, carrinhas “shutle” de hotéis, “tuk-tuks” e outros muitos outros truques sem tabelas, faturas ou qualquer tipo de responsabilidade e obrigação. Por um serviço que não tenha de gastar centenas de horas e de euros a tirar uma carteira profissional. Que não tenha de gastar tempo e dinheiro a renová-la de 5 em 5 anos. Que não tenha que se submeter periodicamente a testes psicotécnicos para ter um averbamento na carta de condução. Que não necessite de alvará ou licença, ou mesmo de renová-los periodicamente. Que não precise de constituir uma empresa, ter contabilidade organizada ou mesmo passar faturas. Que não pague IVA, pagamentos por conta, I.R.C. ou mesmo segurança social. Que não tenha a obrigatoriedade de ter conta bancária de empresa, ou de inspecionar a viatura duas vezes por ano ( anualmente nos primeiros 4 anos ) desde que a compra. Que não precise de adquirir e de verificar os taxímetros anualmente, que não pague seguros automóveis mais caros, ou mesmo seguros de trabalho ou de terceiros. Que não gastem balúrdios na pintura das viaturas para melhor serem “vistos” pelas autoridades e “polícias de ocasião” a cada curva e a cada manobra. Que nem extintor (de 2 kg) sejam obrigados a ter e a inspecioná-lo anualmente.

Muito bem! Os UBER e todos os palermas que não percebem nada desta atividade, falem e prejudiquem à vontade, porque obviamente descobriram a pólvora.

Seria tudo mais fácil se simplesmente desonerassem a atividade “TÁXI” de tantas obrigações e despesas, fiscalizassem os ilegais e efetivamente castigassem aqueles que a prejudicam com ações menos profissionais ou mesmo honestas. Penso que foi para isso que a obrigatoriedade de carteiras profissionais e os alvarás foi criada.

Ou foi só para a DRTT arrecadar mais uns tostões!? Assim, poderíamos então, operar melhor e com preços mais acessíveis.

No entanto, seguindo esta linha de pensamento dos nossos irresponsáveis governantes, acho que se devia também acabar com os juízes, advogados e tribunais. Pois qualquer um consegue consultar legislação pela internet e fazer a sua própria justiça. Acabava-se também com os professores, pois qualquer um que saiba ler e escrever pode também ensinar. Médicos e enfermeiros também não são necessários. Hoje em dia na internet é fácil de fazer um diagnóstico, seguir uma terapia e até se atrever a um prognóstico. Árbitros e treinadores de desporto, tudo para a rua. Usa-se o facebook. Jornalistas, esses então, estão bem tramados, pois eu pessoalmente dei a quarta classe com um “Muito Bom” em redação. E vocês, que se dignaram a ler este texto, vejam lá quando é que vão ser substituídos por um qualquer polivalente.

Mão-de-obra barata e não qualificada, sempre! Ordenados mínimos para todos menos para meia dúzia, suas famílias e amigos.

P.S- Para aqueles que os táxis provocam inveja, por complexo ou preconceito, façam como nós. Trabalhem 12 horas/dia e 7 dias/semana. É a isso que nos vemos obrigados neste momento para pagar todas as despesas “fixas” mencionadas acima, mais as eventuais ( oficinas, acidentes, combustíveis e até multas ). E ainda conseguir levar para casa o suficiente para alimentar a família. Sim, também temos família! Mais, quem achar que não tem ovelhas negras na sua profissão que atire a primeira pedra.