DAntes de mais, não poderia deixar de aproveitar as primeiras palavras para agradecer o desafio que me foi endereçado pelo Diário de Notícias para que partilhasse alguns dos meus pensamentos, escrevendo neste espaço. Considero igualmente importante apresentar uma pequena declaração de interesses, apenas para dizer que escrevo a convite, com o único objectivo de partilhar opiniões de forma sincera, pessoal e desinteressada, sobre assuntos que me prendam a atenção, e sobre as quais os leitores mais pacientes poderão despender breves minutos na sua leitura diagonal. Perdoem-me antecipadamente pela falta de eloquência que por vezes me possa assolar ou pelas divergências de opinião que poderei causar. Se bem que relativamente a este segundo ponto, sempre fui da opinião que quando duas pessoas estão permanentemente de acordo, isso apenas demonstra que uma delas não pensa. Mas por ser a primeira vez, vou referir algo mais consensual e que foi brilhantemente descrito, em particular pela simplicidade, pelo escritor Robert Fulghum há já quase 30 anos. Na sua obra “Tudo o que você precisa realmente de saber, aprendeu no jardim de infância”, o autor descreve uma série de regras e comportamentos que nos são incutidos desde as nossas primeiras incursões na sociedade, e que na sua opinião tornariam o mundo melhor, se os adultos se mantivessem fiéis a elas. Ora vejamos as principais: 1) partilhe tudo 2) jogue de acordo com as regras 3) não bata nos outros 4) arrume as coisas no lugar onde as encontrou 5) limpe o que sujou 6) não leve coisas que não lhe pertencem 7) peça desculpa se magoar alguém 8) lave as mãos antes de comer 9) não esqueça a descarga do autoclismo 10) bolachinhas e leite morno fazem-lhe bem 11) viva uma vida equilibrada: aprenda, brinque, desenhe, pinte, cante, dance, jogue e trabalhe um pouco todos os dias 12) durma a sesta Seguir princípios e ser-lhes fiel gera integridade e, sobretudo, coerência no longo prazo. Dado que os ouvimos repetidamente desde a primeira vez, aproveitemos esses ensinamentos que nos acompanham desde tenra idade, na certeza de que a sua aplicação em variadas situações da vida adulta será tremendamente útil. Ou como diria Robert Fulghum, quando forem lá fora pelo mundo, tenham cuidado com o trânsito ao atravessar a estrada, dêem as mãos e mantenham-se juntos!

Sérgio Gonçalves