João da Silva A portaria inerente ao novo subsídio à mobilidade dos madeirenses e portossantenses e cidadãos que vivam na RAM há pelo menos 6 meses é uma autêntica vergonha e, por isso, deveria ter consequências políticas. Quando uma coisa nasce mal, dificilmente será aceite por qualquer cidadão esclarecido. Esta portaria trata os estudantes de forma desigual porque só os filhos das famílias das classes ricas e média alta virão à Madeira várias vezes durante o ano lectivo e terão o prazer de passar o Natal e o Fim do Ano junto dos seus familiares. Os filhos de famílias pobres, que vivem das bolsas de estudo, vão continuar a vir à Madeira uma vez por ano (nas férias do Verão) e a passar o Natal e o Fim do Ano nas diversas localidades do continente português onde se localizam as suas universidades. Porquê esta conclusão? Porque 80% das famílias não dispõem de 400 euros ou mais para adquirir um bilhete de ida e volta para o seu filho(a). Muitas famílias recebem ordenados muito baixos e quando têm vários filhos as dificuldades ainda são maiores. O período de 60 dias para o reembolso é inadmissível, porque muitas famílias não podem esperar tanto tempo. Os doentes que necessitam de deslocar-se ao Continente em momentos inesperados terão de dispor no mínimo de 400 euros para a viagem. Ou então morrem ou os governantes emprestam o dinheiro! Com esta portaria vamos voltar ao período do fascismo, em que só os filhos dos ricos chegavam às universidades. Neste caso, não estão a cumprir a Constituição Portuguesa que diz que “todos os portugueses têm direito à Educação”. Porque não implementaram o modelo dos Açores, em que os estudantes pagam 99 euros e os residentes 134 euros, o que permite um tratamento igual entre todos os açorianos? Não há tecto máximo, nem reembolso, pagam os valores estipulados para cada viagem.