M. Freitas No domingo passado, fui votar a São Roque e aí encontrei gente amiga que já não via há algum tempo, entre eles, um casal com quem tomámos um café. Na conversa, o senhor comentou com tristeza o comportamento das pessoas de hoje em dia, para quem tudo lhes é indiferente. Sucede que o meu amigo, já com oitenta anos, tinha ido a uma consulta ao centro de saúde, perdeu as receitas antes de chegar à farmácia. Esperava que quem as encontrou as devolvesse ao centro de saúde. O que não aconteceu. Quem encontrou as receitas não teve esse pequeno gesto de honradez, mesmo sabendo que é algo que não lhe servia para nada. Mais recentemente sucedeu outro episódio com a esposa, senhora também idosa. Saiu de casa para o supermercado com uma pequena carteira que continha a lista de compras, 20 euros e o passe. Ao chegar à caixa, já não tinha a carteira. O dinheiro sabia que não ia recuperar, mas o passe, que não servia a quem encontrou, poderia ser que entregassem nos ‘Horários do Funchal’. O casal esperou uns dias e nada. Tampouco houve esse pequeno gesto, que muito ajudaria. Lamentei o sucedido e fiquei a pensar que tipo de pessoas são estas que até o que não lhes serve não sentem na sua consciência o dever de devolver, sem dar a cara, apenas entregando nos locais conrespondentes. Sermos idosos e doentes é algo que não podemos evitar, é a lei da vida. Mas ser honrado é uma virtude que podemos conservar sempre.