Não faço contabilidade de resultados eleitorais e muito menos análises políticas decorrente das últimas eleições. Por um lado não sou analista político e, por outro, estou mais preocupado com a necessidade imediata de sublinhar, perante os madeirenses, os compromissos que assumi ao longo da campanha. O PS-M foi a segunda força política mais votada na Madeira, depois de uma campanha completamente regionalizada, baseada na defesa dos interesses da nossa Região. Por isso, com os resultados obtidos, estamos em condições de liderar a oposição ao governo regional, um governo que mostra uma subserviência perigosa e prejudicial à Madeira perante a república, mas sobretudo, temos a responsabilidade de desafiar os deputados agora eleitos pelo PSD-M e pelo BE, para um compromisso transversal a favor dos interesses da Madeira. Este repto não podia ser mais honesto e genuíno porque, na verdade, é concretizado num enorme contexto de incerteza sobre o próximo governo de Portugal:hoje ninguém sabe quais serão as condições de governação do país e, muito menos, quem será o próximo primeiro ministro de Portugal. Mas, é precisamente neste contexto de incerteza que julgo fundamental deixar claro o pensamento político e a abordagem estratégica do PS-M. Esta declaração é, por isso, a garantia que, independentemente do que se se venha a passar em Lisboa em termos de governação, o PS-M não alterará a sua agenda em defesa dos dossiers que preocupam a Madeira e ao Porto Santo. Estamos num momento crítico da vida política portuguesa, mas a nossa determinação deve estar concentrada na criação de condições para ultrapassar os graves problemas que afectam os cidadãos que vivem na nossa Região. Aliás, ninguém entenderia que fosse de outra forma. É preciso, de facto, arregaçar as mangas e procurar a melhor maneira de garantir que o estado faz o seu papel e cumpre os princípios de solidariedade implícitos no estatuto político e administrativo e na constituição, sem poder usar, em nenhuma circunstância, as lutas partidárias regionais como argumento castrador da nossa vontade. Ou seja, ou nos entendemos no que interessa à Madeira, ou os governos da república, qualquer que seja, será sempre mais forte, e terá sempre o argumento da divergência regional, para não corresponder às expectativas dos madeirenses. Por isso, ainda esta semana, mesmo sem conhecer o próximo governo da república e mesmo sem tomada de posse dos deputados na AR, daremos o sinal que os madeirenses querem. Espero que todos estejam à altura das responsabilidades.
Carlos Pereira Presidente do PS-Madeira