Maria Gomes Na sessão solene do dia de Machico, todos ouviram a confirmação. Afinal a Câmara decidiu continuar na empresa ARM (Águas e Resíduos da Madeira). Assim. Sem mais nem menos. Sem qualquer explicação pública. Está confirmado. Mas não esquecido. O presidente da Câmara e o Partido Socialista, por altura das eleições autárquicas, prometeu bem alto, de microfone na mão e em cada sítio, que se ganhasse, Machico sairia da ARM (na altura, e por eles, apelidada de Águas Roubadas a Machico) e assim a factura mensal ia baixar. Para os então candidatos aquilo tinha sido um “negócio ruinoso”, “um roubo a Machico”, “que o PSD tinha vendido Machico ao Governo” e tantos outros impropérios. Logo depois das eleições, com destaque no DN e na RTP, confrontado com a situação, Ricardo Franco garantiu que a Câmara ia promover um referendo para a população decidir a permanência do Município na ARM. Mas, passados dois anos, sem saber o que fazer com a situação, apercebendo-se da alhada em que se tinha metido, vem dar o dito por não dito e engolir um elefante do tamanho da galeria das Fontes Vermelhas, a nascente que abastece Machico. Sem dar cavaco à população, aliás tentando que a coisa passasse despercebida, aprovou tudo na quarta de manhã. Tudo conforme a ARM lhe enviou. Levou à reunião da Assembleia Municipal, nesse mesmo dia, e onde só teve oito votos a favor (num total de 26), com seis membros do PS a se absterem, no meio da maior vergonha por que alguma vez passaram. Nota final. Quanto de demagogia. Quanto de prosápia, de ameaça, foram notícias de página e ecrã inteiro. Agora, o engulho é tão grande que não há palavras, nem imagens. De ninguém. Está tudo calado. Até a comunicação social.