José João Pereira É com agrado que tomei conhecimento, através do Diário de Notícias, do pedido de demissão do Inspector Valentim Caldeira. Tinha um “feeling” que logo que acabasse a comissão de serviço iria ser afastado do cargo. Outra coisa não era de esperar do elenco governativo do Dr. Miguel Albuquerque que, antes de ser eleito, prometeu que no seu governo não haveria directores fechados nos gabinetes. Perante tal afirmação é evidente que o Inspector Valentim não se enquadrava neste perfil e o fundamento desta minha apreciação consta num artigo da minha autoria, publicado neste matutino, a 29 de Janeiro, intitulado, “Directores de redoma”. Relembro que este artigo surgiu na sequência da recusa do Inspector Valentim em receber-me, quando o ia inquirir da possibilidade dos serviços receberem um candidato a estágio profissional, com mestrado na área de Engenharia Alimentar. Nada mais! Mas, como diz o ditado, “há males que vêm por bem”, saliento que o candidato está a terminar o estágio no Instituto do Vinho da Madeira e que, segundo ele, “está a adorar” o bom ambiente de trabalho e a forma familiar como tem, por todos, sido tratado. Confesso que há nomes ligados ao Instituto que já fixei de tanto ouvir elogios! Só não os menciono por respeito à sua privacidade. Bem hajam todos! Felizmente ainda há serviços públicos que primam pela sua competência e bom relacionamento. No que concerne ao Inspector Valentim julgo que a sua deselegância advém do facto de estar bem instalado ao longo dos 18 anos, esquecendo-se que é gestor da “coisa pública” e que tem a obrigação de saber receber os contribuintes que suportam o seu salário. Contrariamente a este ‘modus operandi’, não podia deixar de referir o brio profissional, a educação e o saber receber do ex-director do Centro das Comunidades Madeirenses, Gonçalo Santos. Contou-me um familiar que tomou conhecimento, através de uma amiga, que um imigrante asiático, filho de uma sua colaboradora, estava com problemas em Londres, no Serviço de Fronteiras, mesmo possuindo um contrato de trabalho. O meu familiar e a amiga decidiram ajudar. Para tal dirigiram-se ao Centro das Comunidades Madeirenses, onde foram cordialmente recebidos pelo ex-director Gonçalo Santos (já no final do seu mandato). Para além da excelente recepção, o caso foi celeremente resolvido. Não era justo referir o mau exemplo do Inspector Valentim e não mencionar este bom exemplo de que tomei recentemente conhecimento. Na altura do “incidente” referido com o Inspector Caldeira procedi a uma reclamação, no livro de reclamações, mas até à presente data não tenho qualquer “feedback” da mesma. Não sei se por norma o reclamante não obtém qualquer resposta. Embora reconheça o mérito e profissionalismo de alguns directores que abandonaram os seus cargos e de até sentir alguma pena, não posso deixar de descurar que é salutar haver mudanças porque os cargos públicos não devem ser vitalícios, muito menos para quem não reúne perfil. Aos incrédulos das mudanças do Dr. Miguel Albuquerque, aqui está mais uma a juntar às recentes nas legislativas e espero que seja extensível às europeias.