Escrevo, hoje, sobre a estreia do Movimento Juntos Pelo Povo nas eleições para a Assembleia de República. A este respeito, pouco se pode acrescentar além daquilo que já afirmamos em Maio deste ano: todo o processo de difusão do modelo do JPP será efetivo, lento e materializado na longa duração. Mais do que isso, é especulação.
A própria comparação de número de votos entre eleições manifestamente distintas, e que derivam de aspetos conjunturais, de rutura e de continuidade, resulta em exercício de difícil conclusão. Pese embora, o número de votantes represente um indicador, maior, para uma análise primária dos resultados.
Na verdade, e tenhamos toda a franqueza, o eleitorado base deste jovem partido criado em Lisboa a 27 de Janeiro de 2015, e com raízes de cidadania desde 2009, é pouco mais de três mil “almas” terrenas. Por aí, assistirá qualquer exercício analítico ou comparativo.
A primeira experiência nacional, e a obtenção do ranking de quarta força política regional, e sem representação até ao momento na capital portuguesa, não deixa de ser um resultado interessante e motivador, em termos de futuro.
O JPP, como Movimento da cidadania tem conseguido passar a sua mensagem, tem reciclado os seus rostos, tem criado quadros e, para estas eleições legislativas tinha, de fato, uma das melhores equipas.
Verificou-se, também, neste processo eleitoral, um aspeto curioso na forma como o partido da maioria estabeleceu uma relação com um dado geográfico local. Foi evidente a clara aposta do psd, na tentativa de resgatar a vitória na freguesia de origem do JPP (Gaula), desenvolvendo um trabalho acentuado no campo e com idas do presidente do governo regional ao terreno. É claro, que do ponto de vista emocional, havia a tentativa de derrotar o JPP no seu epicentro. O objetivo falhado, e com ramificações ao Santo António da Serra, configuraram alguns episódios “invisíveis” destas eleições.
Há um princípio que os autarcas, com experiência, têm a percepção. Revela-se na auscultação do eleitorado, e que os analistas, os jornalistas e os demais observadores ntêm dificuldade de leitura. A relação entre os eleitos e os eleitores, ou se quisermos entre os politicos e os cidadãos (nas utarquias), é manifestamente volátil. Geralmente, por confiança, o eleitor transmite a sua forma de ver os distintos atos eleitorais, e ele próprio distingue e diferencia o seu voto em função da tipologia eletiva.
O autarca, seja candidato ou militante de uma determinada força, sabe-o. Aliás, sabe-o antes de qualquer projeção à boca das urnas.
Élvio Sousa