Conceição Pereira No dia 4 de Outubro caiu o pano e virou-se uma página no nosso calendário diário. Mas vale a pena voltar atrás e pensar um pouco como decorreu a campanha eleitoral. Não vou referir-me aos Partidos, porque cada um tem o seu programa, os seus objectivos, os ânimos aquecem, apesar de ninguém ter o direito de mentir, iludir nem insultar.
Mas vamos ao papel da Comunicação Social.. O primeiro dever de qualquer órgão ou profissional da Comunicação Social é INFORMAR, com isenção e seriedade. No entanto, grande parte dos Órgãos de Comunicação Social empenharam-se, sobretudo, nos comentários sectários e tendenciosos. Assisti a uma mesa de comentadeiros na TVI 24, em vésperas de eleições, que se deram ao luxo de “imaginar” por que razão os eleitores votariam na coligação da direita. Porque, diziam, muitos eleitores não queriam a repetição de 2011, em que foi chamada a troika... Estes senhores estavam, claramente, a dar indicação de voto a favor da coligação de direita. Alguns jornalistas tiveram mesmo um comportamento de “mercenários” e não de profissionais de informação!
E que dizer do comportamento do senhor...que entrevistou a Catarina Martins na SIC Notícias? (Teria entrevistado outros, mas eu só vi esta) Então convida-se uma candidata para uma entrevista para humilhá-la e tentar impedi-la de explicar o seu programa? Felizmente que a Catarina Martins é uma mulher forte, preparou-se devidamente e teve inteligência e habilidade de fugir à tramóia do senhor e, entre os pingos da chuva, explicou muito bem o que faria se fosse 1ª Ministra. Sim, porque o Bloco de Esquerda elaborou um bom programa, sério, capaz de governar Portugal e enfrentar os agiotas e corruptos de cá e de lá.
Na Madeira, também ouvi de jornalistas que não se discutiu na campanha os problemas que temos na RAM e precisam de resolução. Eu sei que nem todos os Partidos quiseram apresentar aos eleitores os seus programas eleitorais, a começar pela coligação da direita, que passou o tempo a criticar os outros partidos, sobretudo o PS, para não falar do seu programa. Mas não é justo que se trate tudo por igual. O BE fez declarações, diariamente, sobre os principais assuntos preocupantes da nossa vida colectiva e como pretendemos que sejam resolvidos pelo próximo governo. E não foi apenas o BE. Sejamos sérios e não façamos o jogo dos que dizem que são todos iguais para esconderem na sombra as suas verdadeiras intenções.
Mas, contra ventos e marés, o BLOCO DE ESQUERDA, odiado pelos poderosos e mercenários, levantou a cabeça, aumentou em muito a sua votação, mesmo na Madeira que, pela primeira vez, elegeu um deputado regional à Assembleia da República.
Agora, imagine-se que todas as forças em presença se portavam de forma honesta e correcta, qual seria o resultado da votação? Creio que o Bloco de Esquerda tinha ganho estas eleições, porque apresentou o melhor programa e também candidatas e candidatos capazes, honestas/os e empenhadas/os em tirar o nosso País do atoleiro onde foi atirado pelo PSD e CDS.