A propósito da apresentação pública do “Documento Estratégico para o Turismo na RAM”, que a ACIF irá fazer brevemente, parece-me oportuno transmitir um conjunto de notas sobre o longo percurso do ambicionado Plano Estratégico para o Turismo da Madeira.

Desde logo, uma nota para o mérito da Ordem dos Economistas-DRM que teve o sentido de oportunidade de levar esta matéria tão relevante ao grande palco das Conferências Anuais de Turismo (CAT’s), dando assim força às reivindicações de alguns sectores do turismo, em particular a APAVT que, desde a primeira hora - durante muito tempo praticamente isolada - reclamou bem alto e persistentemente a necessidade impreterível de um Plano Estratégico que garantisse a COMPETITIVIDADE SUSTENTÁVEL do nosso Destino Turístico.

Em segundo lugar, uma nota positiva para a relevância do conteúdo do Documento que o IPDT e a OE-DRM, com base nas conclusões e recomendações das sete CAT’s, publicaram sob o título “Contributos para uma Estratégia de Desenvolvimento e Crescimento para o Turismo da Madeira”.

Em terceiro lugar, uma nota para o mérito da ACIF que, ouvindo e interpretando as antigas reivindicações da APAVT, os debates das CAT’s e o Documento da OE-DRM, teve a capacidade de sistematizar um “Documento Estratégico para o Turismo na RAM”.

Em quarto lugar, uma nota francamente negativa para a tutela do sector por nunca ter tido a iniciativa de, em tempo oportuno, lançar as Políticas Estruturais para o Turismo da região. Ou seja, (i) a incompreensível ausência da aprovação, em sede da ALR, de uma Política de Bases do Turismo; (ii) o desinteresse absoluto pelo desenvolvimento do imprescindível Observatório do Turismo; (iii) a recusa teimosa na elaboração e implementação de um Plano Estratégico, de onde deveria resultar: a) um POT; b) um Plano Táctico, ou seja, o Plano de Marketing e Comunicação; c) a reorganização da Promoção num único Organismo, através da união de recursos, meios e vontades.

Infelizmente, a tutela optou por desprezar a relevância de um Plano Estratégico, mantendo na gaveta o exemplar Plano elaborado nos anos 90 pela Pannel Kerr Forster (se tivesse sido implementado, hoje certamente teríamos um DESTINO ESTRUTURALMENTE COMPETITIVO) e desconsiderando todas as reivindicações privadas para a necessidade imperiosa de um documento orientador desta natureza.

Mas, para marcar claramente o desinteresse por uma visão estratégico para o Turismo, a tutela ainda teve o condão de assumir como prioridade o “Plano Integrado e Estratégico dos Transportes”, sector de serviços de suporte, relegando a actividade locomotiva da nossa economia, o Turismo, ao sabor dos ventos das opções tácticas.

Mas ainda mais grave, a tutela, deixando marca indelével do seu desprezo por uma indispensável hierarquia dos instrumentos de planeamento e gestão, lança o caos conveniente do tacticismo perturbador, publicando desarticuladamente a revisão do POT e de um novo Plano de Comunicação que irão para o terreno desengonçados e órfãos de enquadramento estratégico.

Ou seja, prevalece a administração à deriva, sem fio condutor dos instrumentos de planeamento e gestão. É a ausência premeditada de coerência estratégica ao serviço de um Turismo imediatista e low cost, actualmente iludido nos bons resultados conjunturais de méritos exógenos. É planear a anarquia ao serviço dos interesses arbitrários e casuísticos.

Com os ventos de novos protagonistas políticos, compete a estes pôr em prática as promessas que dão corpo aos seus programas políticos, sem receios e sem cedências a interesses não colectivos. Espera-se assim, que assumam a responsabilidade, depois de recolhidos os contributos já publicados da APAVT, da OE-DRM e da ACIF, de aprovar, em sede da ALR, uma Política de Bases do Turismo e, em sede de governo, um Plano Estratégico para o Turismo, garantindo assim a força legal do ordenamento que se exige a um sector que utiliza, como matérias-primas base, o território e o património cultural, do qual somos todos accionistas.

João Welsh