Valeriano Rosário Como tudo na vida, nada é eterno e vitalício. Em todas as circunstâncias existe princípio e fim, como a existência da vida até à morte. A política enquadra-se perfeitamente nesta lógica transversal, irreversível e inadiável com inteira justiça. Nas últimas eleições internas, disputadas entre seis candidatos, todos eles ligados directa ou indirectamente ao PSD e ao Governo Regional, das mesmas saiu vencedor o Dr. Miguel Albuquerque, ex-presidente da Câmara Municipal do Funchal, que sucederá o histórico Dr. Alberto João, que ao longo de quarenta anos liderou o Governo Regional. Apesar do progresso da Região em termos de infraestruturas, turismo, mais qualidade no ensino, saúde, bem-estar social e com índices de criminalidade mais baixos do País, nem tudo foram rosas, com alguns altos e baixos, mas que na sua maior parte se pode considerar positivo, ficando ali uma cruz, que ainda não chegou ao topo da montanha! O sucessor, pelo seu passado político e trabalhador como é reconhecidamente na opinião pública e meio político, vai ter que transpirar um bocado e ficar com muitas noites em branco, sabendo que não será fácil apagar quatro décadas que causaram muitas dores de cabeça. Na minha opinião ganhou quem mais se evidenciou, mas a candidatura foi disputada com seis menos um (6-1), ou seja, houve um candidato que no meu entender não se apercebeu da dimensão destas eleições e da envergadura que elas comportam. Como é que um candidato a um processo desta natureza recusa-se a apresentar o seu programa eleitoral publicamente, objectivos, não vai ao encontro do povo, exclui os debates na comunicação social? Revelou alguma dificuldade em comunicar, fechado sob si próprio e orgulhosamente só! Perdeu e ficou no fundo da tabela e bem se pode considerar um luxo estar incluído naquele elenco de candidatos, pelas suas características, limitações e rigidez. Em democracia não vale tudo! Ainda bem que existe o sufrágio, sob pena de sermos obrigados a votar numa espécie de política com este modelo, de quanto menos falar melhor! Hoje nada nos espanta, mas temos de reflectir: qual é o tipo de político que melhor se identifica com os interesses do povo e se este representante estaria ao seu melhor nível, caso ganhasse, para defender os interesses da Região a nível nacional e internacional e conduzir a Madeira ao seu melhor destino? Governar a Região e representar o povo Madeirense, defendendo os seus interesses, não é a mesma coisa que vender numa mercearia. É preciso manter a boa imagem que já de si existia para o exterior, ainda com mais determinação e rigor, porque a política quando envolve encargos desta natureza não é «vou ali e já venho!» Incapacidades à parte, penso que é necessário mais abertura ao exterior, mais investimento em espaços comerciais de bens e consumo, de forma a criar mais concorrência, o que faz com que haja mais emprego. Para além do trabalho árduo que o novo líder tem pela frente e todos nós desejamos que assim o aconteça com as suas provas dadas, também existe aquela pedrinha no sapato, que nunca saiu debaixo dos pés do Dr. Alberto João: «que é quebrar o gelo e atrito existente entre o Continente e a Região, há uns anos a esta parte por diversas razões». Boa sorte!