O começo de um novo ano é geralmente um momento importante para estabelecer novas metas na vida. Para algumas pessoas, os propósitos não vão além de deixar de fumar ou começar uma dieta ou mesmo praticar desporto. Outras pessoas, no entanto, estabelecem ideais de aperfeiçoamento e superação pessoal, uma melhor vida familiar e conjugal ou uma maior proximidade aos amigos, ou mesmo o cultivo de valores cristãos. Na verdade, qualquer propósito ou objetivo, por mais pequeno que seja, coloca a nossa força de vontade à prova e projeta-nos para o agir. Assim, neste início do ano queria contribuir para que todos pudéssemos olhar para 2015 com a coragem e a esperança que sempre animaram este Homem “Grande” que é para todos nós um exemplo a ter presente. Falo, naturalmente, do Comendador Pe Mário Casagrande, no dia do sexto aniversário da sua chamada para a casa do Pai. Para todos aqueles que não tiveram o privilégio que tê-lo conhecido pessoalmente, posso dizer que era uma pessoa diante de quem qualquer um se sentia pequeno, pelo facto de ser, verdadeiramente, um homem grande, grande sobretudo de coração, empenho e dedicação. Andava constantemente com as mangas arregaçadas, isto é, sempre preparado para responder a um novo desafio, numa dinâmica jovial de alguém que nunca deixou de sonhar, nem de lutar por um ideal. É impossível não recordar a sua pedagogia seriamente brincalhona e a sua dinâmica criativa. O sentido de fidelidade à sua própria identidade religiosa e sacerdotal, o seu espírito de iniciativa e de sacrifício, a simplicidade de vida, a liberdade e a informalidade relacional, a roçar a irreverência, que ele colocava ao serviço da missão, a sua sensibilidade para com os excluídos e sobretudo a paixão pelo jovens e pelo ensino deixaram, especialmente na nossa Região, um rasto indelével da sua vida e tornaram-no num exemplo indiscutível para todos. Num momento em que muitas pessoas ainda não definiram os seus propósitos e objetivos para o ano que agora mesmo se iniciou, que andam enredadas em labirintos sem um caminho claro a seguir, perdidas em armadilhas que dificultam a sua lucidez e capacidade de decisão, a experiência de vida e o exemplo desta figura carismática será certamente um incentivo para encontrarem um sentido para a vida, para renovarem a sua esperança, para procurarem com perseverança a sua verdadeira missão e serviço, para assumirem com liberdade, atitudes e comportamentos que expressam a sua mais genuína essência. Além da sua conhecida atuação no campo da educação e ensino, convém não esquecer a assistência religiosa e moral que prestou aos presos dos estabelecimentos prisionais da Cancela e dos Viveiros, bem como o seu serviço na Igreja do Colégio, onde celebrava Missa aos Domingos, sendo muito apreciadas as suas histórias nas homilias. Histórias essas que considerava ser um excelente meio para dar a conhecer e comunicar os conteúdos, as experiências e os desafios da fé e para desafiar a olhar de forma diferente para os outros e para as situações, incitando a uma mudança de atitude e de vida e a um aventurar-se livremente em horizontes desconhecidos. De facto, se é comum ver nesta época o entusiasmo com que todos estes novos propósitos são apresentados, já não é tão frequente ver pessoas que os colocam em prática e vão até o final. São muitas e fáceis as desculpas para abandonar um projeto começado. Por isso, é essencial implementar e concretizar os objetivos definidos, vale a pena fazê-lo mesmo que seja difícil, mesmo que seja necessário muito trabalho e esforço. Afinal de contas a coerência esperada torna-se o horizonte de toda a ação e podemos ter presente, as palavras do Pe Mário: “valeu a pena. Trabalhei com entusiasmo”. Um Bom ano. Vai valer a pena!

Marco Gomes Director Pedagógico da APEL