A. F. Li no Observador as resoluções de 2015 de algumas figuras proeminentes. A minha favorita pertenceu a João Magueijo, um físico luso que trabalha em Londres. “Uma das minhas resoluções para 2015 é adoptar um novo vício: fumar, consumir cocaína ou beber demais” - disse o homem que estuda as leis que movem os planetas e os átomos. Confesso que não posso adoptar nenhum destes vícios. Já fumo - demais - e bebo - segundo o meu fígado, em demasia. Quanto à cocaína, não sou capaz de a consumir porque não posso - é demasiado pesado para a minha carteira. Este espaço de debate, a louvável rubrica chamada “Cartas do Leitor”, pode ser útil no que diz respeito à minha resolução de 2015. Não quero abdicar dos meus defeitos. São os defeitos que tecem a minha humanidade. São as falhas que dão fibra a qualquer pessoa, eu incluído. Aquilo que dizemos das personagens de ficção aplica-se na vida real: os lapsos e a imperfeição dão consistência às figuras dramáticas, libertando o texto da superficialidade e oferecendo profundidade. O que almejo para 2015 é abdicar de uma virtude - e se tiver força e determinação juntamente com o vosso apoio, duas virtudes. Fiz uma compilação esquemática de quais são as minhas principais virtudes. Cheguei à conclusão que o meu polígono virtuoso é feito de cinco vértices. São cinco as minhas virtudes essenciais: bondade, honestidade, sinceridade, franqueza e empatia. Porque é que preciso dos leitores? Livrar-se de uma virtude é uma mudança de paradigma no comportamento de um cidadão que pode acabar por influenciar a sua presença na sociedade, isto é, pode acabar por afectar toda a sociedade. Depois, é uma tarefa complexa, e quando se diz “duas cabeças pensam melhor que uma” imaginem o que acontecerá quando centenas de cabeças se juntam para tomar uma decisão. Exorto os leitores a refletirem sobre as virtudes que devo abdicar - nos comentários online ou através de uma nova carta - e aproveito para alargar o debate sobre quais as virtudes dos próprios leitores que por sua vez devem também suprimir. Estou certo que os leitores, tal como eu, poderão ter virtudes a mais. Assim como moderar estas virtudes? Como preterir virtudes para que o ano de 2015 seja um ano de menos virtuoso todavia mais construtivo e alegre?