Foi com muita satisfação que tive conhecimento da nova dinâmica da saúde mental na RAM, essencialmente da manutenção da equipa de psiquiatria. A RAM pode congratular-se com o resultado do esforço de muitos anos de uma atitude de normalização da procura de ajuda da consulta de psiquiatria e/ou psicologia. Enquanto psicóloga assisti de perto à atitude do Governo Regional e da empresa SESARAM no sentido de desmistificar e facilitar o acesso aos serviços públicos na área da saúde mental. Foi sem dúvida um trabalho intenso e dedicado que resultou numa mudança de atitude que em muito beneficiou a população. Hoje na RAM a população procura este serviço de uma forma muito mais descomplexada e tranquila do que o que acontecia há 20 anos atrás. Satisfaz-me perceber que continua a existir uma vontade em facilitar o acesso à população no sentido de desmistificar a ideia de que a perturbação ou doença mental é algo a esconder, motivo de vergonha ou mau estar. Comparativamente com o Continente parece-me que a região conseguiu passar a mensagem de que pessoas mentalmente saudáveis são mais capazes de enfrentar as suas dificuldades e usufruir da vida com mais qualidade. Em tempos escrevi um artigo sobre o Dr. Fernando Sales Caldeira e do privilégio que foi ter trabalhado com ele, por isso sinto que devo também agradecer ao Dr. Luís Filipe Fernandes a forma como sempre olhou a saúde mental na RAM. É do conhecimento público que sozinho assegurou o serviço de psiquiatria durante um tempo significativo e que só o conseguiu porque tem a capacidade de articular, confiar e respeitar colegas e outos técnicos de saúde. Desenvolveu um projeto e nunca desistiu de acreditar que fosse exequível. Sempre soube respeitar opiniões contrárias e ultrapassar as adversidades. Por isso conseguiu manter o serviço de psiquiatria em condições difíceis e responder às necessidades. Sinto-me grata por isso e reconhece-lhe um valor inestimável. Aprendi muito com ele e agradeço-lhe por isso assim como considero que a RAM lhe deve esse reconhecimento. O presente, e sobretudo o futuro, exigem novos desafios e existem pessoas igualmente competentes e motivadas para dar continuidade a um modelo dinâmico que respeite acima de tudo as necessidades da população e o respeito pela saúde mental. A prevenção começa assim no encontro de soluções conjuntas que nos tornem a todos muito mais seguros e motivados. Com um profundo reconhecimento por todos aqueles que nunca desistiram de acreditar, o meu muito obrigada.
Manuela Parente Psicóloga