Leitor identificado A cultura na Madeira tem mais a ver com “parecer” do que “ser”. Se os nossos “artistas” passassem mais tempo a produzir arte e menos tempo a se autocongratular nos cafés da moda, talvez o panorama artístico madeirense não fosse tão deprimente, dependente de subsídios e de patrocínios de ex-governantes que põem e dispõem de instalações a seu belo prazer. Correndo o risco de ser acusado de mesquinho e invejoso, não posso deixar de opinar sobre a forma como alguns membros da nossa “intelligentsia” se autopromovem despudoradamente. O exemplo mais recente é a de um conhecido poeta/empresário que fez questão de dar a conhecer na imprensa regional o facto de uma aluna da Universidade de Turim dedicar o seu trabalho de fim de curso a uma obra do mesmo. A divulgação do facto é razoável; o que não é razoável é a forma como é feita. Ridiculamente imodesto, o nosso poeta faz questão de juntar à nota uma citação do prefácio em que a aluna explica como ficou “fascinada (…) pela personalidade deste autor, um homem de mil interesses e de um conhecimento profundo (…)” -- suponho que foi o próprio que traduziu do italiano. Gaba-te, toco, senão quem te gabará?